Ainda há veículos com IPI reduzido


| Tempo de leitura: 4 min

Os interessados em comprar um automóvel ainda conseguem encontrar veículos com IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em Franca. Apesar de o imposto ter aumentado no primeiro dia do ano, concessionárias da cidade ainda possuem carros em estoque, o que garante o mesmo valor praticado no ano passado.

Um decreto federal publicado no Diário Oficial da União no final de 2013 estabeleceu aumento das alíquotas para os impostos de automóveis a partir do último dia 1º. Com isso, o imposto de carros de 1.0 a 2.0 flex, que eram taxados em 7% de IPI durante todo o ano passado, passou a ser de 9% até junho deste ano e, a partir de julho, será de 11%.

Por causa da medida, as concessionárias aplicarão os novos preços em todos os veículos em breve. Segundo quatro estabelecimentos consultados pelo Comércio, os reajustes irão variar de 1% a 7%, caso não haja bonificações por parte das montadoras para absorver o aumento. Mas ainda é possível economizar, já que existe estoque de carros produzidos no ano passado ainda comercializados com o IPI reduzido.

Só que quem quiser adquiri-los precisa ser rápido: o volume de carros deve se esgotar em até dez dias, como aposta a concessionária da Fiat em Franca. Já outros estabelecimentos acreditam que o estoque dure um mês ou pouco mais, como nos estabelecimentos que vendem veículos da Chevrolet, Volkswagen e Peugeot. “A procura no final do ano foi muito grande. Mesmo com as compras adicionais de veículos que nós fizemos para oferecer mais carros com o IPI reduzido, o nosso estoque só deve durar por mais uns 45 dias”, disse o gerente da concessionária da Volkswagen, Márcio Ferrari.

“O aumento do IPI é culpa do governo. Mais uma vez, o governo tira da população e tem o maior lucro. O maior problema do nosso país é a carga tributária: o valor de um veículo popular corresponde a um modelo top nos Estados Unidos, por exemplo”, afirmou o diretor comercial da concessionária da Fiat, Luiz Gustavo Silva.

Um dos francanos que quer aproveitar os últimos dias de preço baixo é o químico Henrique César Oliveira, 36. No começo do mês, ele visitou uma concessionária da Chevrolet para pesquisar o preço de um carro popular zero quilômetro da marca. “O fato de o IPI estar baixo por pouco tempo influencia muito (a compra de um veículo). Já é difícil adquirir um veículo mesmo com um IPI baixo, porque se você financiá-lo, paga uma taxa de juros alta. Se eu não aproveitar essa oportunidade, não sei o que farei”, disse.

Segurança
O aumento do IPI não será a única medida a aumentar o preço dos automóveis. Desde o primeiro dia do ano, todos os carros produzidos no Brasil precisam contar com airbag duplo frontal (um para o motorista e outro para o ocupante do banco da frente) e freios ABS (que evitam o travamento das rodas em uma frenagem mais brusca). A obrigatoriedade era prevista desde 2009 pelo Conselho Nacional de Trânsito. Em 2010, o percentual de carros novos que necessitavam ter esses itens foi aumentando gradualmente e, em 2013, o índice chegou a 100%.

Por causa disso, a medida não deve alterar os preços da maioria dos modelos de carros, pelo fato de muitos já estarem sendo fabricados com os equipamentos. “Eu acho que essa medida vai favorecer as vendas. Hoje, se você comprar um airbag ou um freio separadamente, o valor gasto é mais do que o dobro do que o consumidor vai pagar com os equipamentos já embutidos, dada à escala de produção muito grande”, afirmou Márcio Ferrari.

Mas alguns carros devem sofrer reajustes. O 207, da Peugeot, deve ter seus preços aumentados em R$ 1 mil; já o Celta e o Classic, da Chevrolet, devem ficar de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil mais caros, segundo os funcionários das suas respectivas concessionárias. Outros vão ou já saíram de linha por causa da imposição, como o Uno Mille, da Fiat, e a Kombi e o Gol G4 (antiga geração), da Volkswagen.

Apesar do acréscimo do IPI e do encarecimento de alguns modelos devido à inclusão dos itens de segurança, três das concessionárias consultadas projetam um crescimento de 3% a 10% nas vendas para este ano em relação a 2013.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários