Morreu o ourives Anésio Chereghini, aos 87 anos


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Anésio Chereghini foi sepultado no Cemitério da Saudade
Anésio Chereghini foi sepultado no Cemitério da Saudade

Morreu às 6h30 de ontem, 15 de janeiro, quarta-feira, no Hospital Regional de Franca, depois de internação de uma semana, Anésio Chereghini, tradicional ourives francano. Segundo a família, a morte aconteceu por falência múltipla de órgãos decorrente de processo infeccioso abdominal.

Anésio era francano. Criativo desde muito jovem, empregou-se em Irmãos Olivieri, reconhecidos como escola de ourivesaria. Lá, tornou-se ourives de competência e habilidade, conquistando clientela da cidade e região. Decidiu-se por abrir própria empresa, Chereghine Ourivesaria, sediando-a em endereços que se tornaram pontos obrigatórios - na ruas Marechal Deodoro e Comércio - de quem queria joias exclusivas, concebidas com sensibilidade artística. A apresentadora Branca Ribeiro, que atuou em festivais de música da TV Record, teve jóia de Anésio, criada especialmente para ela. Foram 65 anos dedicados à profissão. Mesmo aposentando, não parou, mantendo oficina em sua casa na rua Floriano Peixoto.

A sensibilidade de suas mãos e audição o tornaram, ainda, conhecido para abrir cofres — a família se lembra que o pai não se utilizava de ferramentas, somente as mãos e o ouvido colado ao sistema de segurança dos cofres, para abri-los, e ‘não havia cofre que o vencesse’ — e auferir equipamentos de medição de pressão, o que o fez, também, próximo de profissionais de saúde por décadas.

Deixa, viúva, Maria Alves Chereghini, depois de 65 anos de casamento. Do enlace, nasceram três filhos (José Roberto, casado com Dulcineia; Celeide, casada com Hamilton Maníglia; Gianpaulo, casado com Regina) e quatro netos (Danilo e Douglas, Bruno e Fábio).

Celeida disse que o pai, um ‘homem bom, de sangue italiano, construiu um grande círculo de amizades e respeito, integrado por clientes que se tornaram seus amigos, e, especialmente, pela família, que não abria mão de ter muito perto de si, preocupando-se, auxi-liando, colocando-se disponível fosse qual fosse o problema que alguém lhe apresentasse’.

‘Meu pai — continuou — era o que hoje se conhece como contador de histórias. Mesclava suas experiências de vida aos assuntos que abordava, conquistando a tantos quantos com ele se comunicassem’. Gostava de pescar e de preparar o pescado para as reuniões de família. Todos reunidos, era sempre um perfeito anfitrião, servindo, contando casos e piadas e, invariavelmente, terminando tudo em partidas de truco.

Fora do trabalho e da de-dicação à família, foi sempre muito próximo das atividades religiosas e de pastorais da Igreja de Nossa Senhora das Graças. Criou, lá, grupo de terço que completou, recentemente, 31 anos de atividades. Com sua mulher, foi um dos coordenadores dos Encontros de Casais da paróquia, além de também ter presidido a Creche Nossa Senhora das Graças. O velório aconteceu no São Vicente de Paula, seguindo-se sepultamento no Cemitério da Saudade, às 16h30 de ontem.

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