Servidores confirmam sumiço de depoimento


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Dos três funcionários da Câmara ouvidos ontem pela polícia, apenas Afonso Teodoro Souza Filho disse que não houve falhas
Dos três funcionários da Câmara ouvidos ontem pela polícia, apenas Afonso Teodoro Souza Filho disse que não houve falhas

A Polícia Civil de Franca começou a ouvir, ontem, os servidores da Câmara para apurar eventual delito de supressão de documento cometida pelo presidente Jépy Pereira (PSDB). Ele é acusado de manipular o processo de contratação de um advogado para defender sua gestão em processo trabalhista. Duas testemunhas confirmaram em depoimento que uma folha teria sido retirada dos autos.

Apesar de a contratação de advogado por dispensa de licitação estar prevista na lei 8.666, Jépy decidiu cotar o menor preço ao firmar contrato com um profissional, em novembro de 2013, para defender a Câmara de ação movida pelas suas procuradoras. Segundo denúncia anônima feita ao Ministério Público, o presidente teria ocultado a primeira proposta de preços entregue pelo advogado de sua preferência depois que outro, de última hora, apresentou preço menor que a proposta original.

O suposto crime de supressão de documento público é apurado pelo Ministério Público e pela Delegacia Seccional. Na manhã de ontem, três servidores de carreira da Câmara prestaram depoimento. O diretor-administrativo, Afonso Teodoro Souza Filho, afirmou à polícia que a contratação ocorreu dentro da legalidade e que não houve falhas na tramitação do processo.

O chefe da Divisão Legislativa, Luiz Henrique Goulart, e o responsável pelo setor de protocolo, Célio Lacerda, apresentaram uma versão diferente. “Eles afirmaram que uma página teria sido trocada. Após terem notado a falta da assinatura e comunicado o fato, a original teria sido recolocada no lugar. Vou ouvir o presidente para tentar entender o que aconteceu”, disse o delegado-assistente Luiz Carlos de Almeida Souza.

É provável que Jépy Pereira seja notificado para prestar depoimento na próxima semana. A Polícia Civil também deverá ouvir as alegações do advogado Jean Marcelly Rosa, que ofereceu seus serviços por R$ 7 mil, valor abaixo do previsto inicialmente, mas que foi coberto posteriormente, segundo a acusação, de maneira irregular.

Recorrendo a uma expressão usada pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) para tentar minimizar crises em seu governo, Jépy Pereira, disse estar “tranquilo”. “Fizemos um procedimento correto e transparente. Não houve nenhum problema. Tenho absoluta certeza que o processo será arquivado.” O presidente negou que tenha manipulado a cotação de preços. “Se houve qualquer alteração, não foi por parte da presidência nem por parte da direção-administrativa. O guardião do processo é, justamente, o servidor que fez a denúncia.”

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