A julgar pelas previsões apresentadas nesta terça-feira pelo presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, 2014 não será um ano fácil para os que produzem calçados. As projeções de venda para o setor não são nada animadoras. “Se conseguirmos repetir 2013, será uma façanha.” A frase foi dita durante o segundo dia 41ª Couromoda 2014 (Feira Internacional de Calçados, Artefatos de Couro e Acessórios de Moda), que acontece até amanhã nos pavilhões do Anhembi, em São Paulo.
A estagnação do mercado interno e as particularidades de um ano de Copa de Futebol e eleições devem colocar um freio na expansão do setor. Os comerciantes locais também temem queda nas vendas. “Já vivemos um ano bastante complicado em 2013. Vínhamos de três anos consecutivos de crescimento em torno de 10% e enfrentamos uma retração. Avançamos menos de 2%. Para este ano que se inicia, não acreditamos que o cenário se mantenha o mesmo. Se repetirmos o resultado de 2013, estará de bom tamanho”, disse Klein.
Problemas
Segundo o presidente da Abicalçados, o mercado interno de calçados sofre com a invasão dos importados asiáticos. “Enquanto nossas vendas cresceram menos de 2%, as importações da China, por exemplo, aumentam em um ritmo de 20% a 30% ao ano. E não dão sinais de recuo.”
Os preços de matérias primas e insumos para a produção de calçados de couro também não param de subir, segundo Klein. “Especialmente o couro, onde também enfrentamos a demanda para exportação.”
No ano passado, o Brasil manteve sua posição de terceiro maior produtor de calçados do mundo, com um volume de 860 milhões de pares produzidos. Para o presidente da Abicalçados, em 2014, esse número não deve sofrer alterações. “Se tivermos algum crescimento, o que acredito ser difícil, será na produção de calçados injetados (sandálias praianas). Nos modelos mais tradicionais, é possível, inclusive, que haja retração.”
Solução
A saída para diminuir os efeitos da estagnação do mercado interno, segundo Klein, será o investimento nas exportações. “Com a desvalorização do real, as condições para as vendas no mercado externo melhoraram bastante. Devemos iniciar um movimento neste ano de retomada das exportações.”
Nos últimos três anos, o Brasil tem registrado queda na venda de calçados para o exterior. “Pelas nossas projeções, é bem possível recuperarmos parte desta perda ainda neste ano”, disse sem citar valores ou volumes de pares.
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