Recebi um recado lá do Pará: ‘Sou ouvinte assíduo de seu Café Brasil. Ouvi comentário seu a respeito de culpa do patrocinador do entretenimento pocotó, tal como o Big Brother. Sou um patrocinador do tipo, dono de supermercado e não escolho outras mídias por que não dão retorno. Então, pergunto: como você vê empresário que tem recursos limitados e precisa escolher certo? Sou empresa tradicional, onde o cliente faz a feira do mês. Já pensei em sopão ou patrocínio de eventos locais, mas, além de não dar retorno igual à mídia pocotó, não são sustentáveis, não é marketing social verdadeiro. Como ser lucrativo e, ao mesmo tempo, ser responsável?”
Respondi: “Compreendo. Quando estive à frente de MKT de multinacional tive o mesmo dilema. Sofria quando autorizava mídias pocotós que os especialistas traziam. Como resolvi? Defini que alocaria x% da verba em projetos de desenvolvimento cultural, que, sabia, dariam pouco ou nenhum retorno. Se a verba aos pocotós subia, o valor absoluto daqueles x% também subia. Patrocinei projetos legais, lancei autores, distribuí conteúdos, lancei livros, CDs, sites etc.
Quando visito meus patrocinadores, digo: “Em vez de investir R$ 4 milhões na Globo, invistam R$ 3,8 milhões. E botem R$ 200 mil no Café Brasil, pô!” Esses 200 mil não farão diferença na campanha deles, mas pode ser o futuro do Café Brasil. Veja exemplo: se sua verba é R$ 10 mil, dedique R$ 500 a projeto que valha. Encontre ONG ou algo parecido e aproxime-se: 12 meses de R$ 500 são R$ 6 mil. E projetos que custam 10 mil podem ser feitos com 9,5 mil... Não resolve, mas 5% que são pouco para você, talvez sejam tudo para a ONG! Neste mundo de extremos, é comum achar que é tudo ou nada, que é oito ou oitenta, mas não precisa ser assim. Comece com oito que pode ser oitenta pra muitos.” Ele agradeceu. Acho que vai acontecer alguma coisa lá em Paragominas...
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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