Uma noite que deveria ser lembrada pela alegria ficou marcada pela tragédia. Às 20h30 dia 7 de dezembro, a família do motorista Jean Rangel Silvestre, 32, se envolveu em um terrível acidente a poucos metros de uma chácara onde estava acontecendo uma festa de confraternização da empresa em que ele trabalha. Seu Fiat Uno estava cruzando a pista do km 9 da rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca a Ribeirão Corrente, quando foi atingido na lateral traseira pelo Volkswagen Golf dirigido pelo também motorista Rodrigo Serrano Ribeiro, 31.
A força do impacto matou o estudante Eduardo Rangel Braz Silvestre, 12, filho de Jean, e o bebê Miguel Alves Mendonça. Com menos de 4 meses de vida, Miguel estava com sua mãe, Sandra Luzia Alves, 33, vizinha de Jean que também iria para a festa. Dentro do Uno ainda estavam a mulher de Jean, Kenia Cristina Braz, 31, e sua outra filha, Emilly Rangel Braz Silvestre, 7.
“A impressão que fica é que ele (Rodrigo) matou dois cachorros e largou no meio da estrada. Só que foram duas crianças”, disse Jean, que se machucou no acidente e atualmente precisa de uma cadeira de rodas para se movimentar. Ele também reclama da morosidade da Polícia Civil. “Para você ter uma ideia, eu estava com a documentação (do Uno) vencida e a multa já chegou, mas até hoje não veio ninguém aqui falar comigo, pegar o meu depoimento.”
Dor sem fim
A perda do filho mais velho foi o ápice de uma tragédia que ainda não acabou para a família do Aeroporto III. Apesar dos três membros terem sobrevivido, todos ainda convivem com sequelas do acidente. Jean está se recuperando lentamente de uma grave lesão sofrida na medula espinhal. “Em um dia você consegue levantar 100 kg sozinho e no outro você precisa de ajuda até para colocar roupa”, comentou. “Mas, graças a Deus fiz uma cirurgia e estou recuperando os movimentos.”
A mulher de Jean precisou parar de trabalhar. Com o impacto do acidente, a carne se desprendeu do osso do joelho da perna esquerda, o que provoca a produção descontrolada de plasma, causando dor e transtornos. “De 5 em 5 dias eu preciso ir na Santa Casa para tirar esse plasma”, disse Kenia. Por fim, a pequena Emilly quebrou a bacia e precisará ficar com um fixador esterno de metal durante dois meses. “Se não fosse a ajuda que meus chefes estão me dando, não sei o que seria da minha família. Porque as contas não param de chegar”, disse Jean.
Em meio a esse caos, Jean e sua família tentam se reerguer também emocionalmente. “Sabemos que nosso filho não voltará, mas queremos justiça. Queremos que a verdade apareça e ele (Rodrigo) pague pelo que fez à nossa família. Ele destruiu nossa família”.
De acordo com o delegado responsável pelo 5º DP, Hélder Rodrigues, o inquérito está em fase de conclusão e o depoimento de Jean será colhido em poucos dias. “Como é um caso traumático, o normal é darmos um tempo para que os envolvidos se acalmem. Sabemos que é uma situação difícil, mas estamos fazendo nosso trabalho”.
A reportagem do Comércio tentou falar com Rodrigo Serrano Ribeiro através do celular, mas o mesmo estava desligado.
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