Morreu ontem, por volta de 11 horas, na Unidade de Terapia Intensiva do HCor (Hospital de Coração) de São Paulo, o procurador de Justiça aposentado Wiliam Wanderley Jorge, patriarca de tradicional e conhecida família francana.
Tinha 73 anos. Convivia com problemas cardíacos. Há pouco mais de 20 anos, submeteu-se a cirurgia para colocação de pontes de safena. Na manhã de 20 de dezembro passado, foi, como sempre fazia, à banca de advocacia Lemos Jorge, que fundou junto aos filhos. Permaneceu lá algum tempo, em consultoria e cuidando de alguns processos que, pessoalmente, conduzia. Os filhos perceberam que o pai revelava cansaço, respiração ofegante. Levaram-no ao HCor. Exames realizados, foi imediatamente conduzido à UTI. Sucessão de problemas resultaram em paralisia renal, mas o tratamento lhe permitiu ir para o quarto no dia 26. Manhã seguinte, nova teve paralisia dos rins e teve a primeira de duas paradas cardiorrespiratórias. Reanimado da primeira, voltou à UTI. Muito debilitado e enfrentando falência de mais órgãos, morreu.
Wiliam construiu sólida e reconhecida carreira jurídica. Formado advogado, decidiu-se por prestar concurso para promotor de Justiça em 1962. Aprovado, ingressou na Promotoria Pública e prestou relevantes serviços à cidade, aposentando-se em 1995 na condição de Procurador de Justiça na capital paulista. Atuou na Faculdade de Direito de Franca como docente de direito penal. Mais tarde, tornou-se diretor da escola. Escreveu vários livros em sua área de atuação — o último, Direito Penal Tributário. Nos últimos anos, exercitou docência na Faculdade de Direito de São Paulo e foi consultor da banca de advocacia Lemos Jorge.
Integrou, no início da década de 80, o quadro societário da Francal Feiras. Como seu diretor jurídico, conduziu a transformação da empresa, de economia mista para sociedade anônima, conforme exigiu o Ministério da Indústria e Comércio da época para que a promotora pudesse levar a feira Francal para São Paulo, e lá se tornar uma das promotoras referenciais do mercado de eventos tecno-setoriais no país.
Era filho do jornalista Tuffy Jorge (diretor do jornal O Francano) e Lydia Jorge, irmão de Wellington Roberto Jorge (Promotor de Justiça aposentado), casado com Maria Inês. Deixa, viúva, após 43 anos de enlace, Maída Lemos Jorge. O casal teve cinco filhos (Plínio, advogado, diretor da Nova TV, casado com Teresa Cristina; Murilo Jorge, promotor de Justiça em Franca, casado com Cristiana; André, advogado, diretor da Nova TV, casado com Beatriz; Estevão, promotor de Justiça em Ribeirão Pires - SP, casado com Carolina; e Rossana, advogada, casada com Roberto) e seis netos (Mariana, Lucca, Luiza, Júlia, Rafael e Maria Clara).
Segundo seu filho Plínio, Wiliam foi um pai à moda antiga, ‘presente, atento à movimentação dos filhos e da família, rigoroso e reto, de pouca conversa, mas, sem qualquer dúvida, como se pode perceber pelo encaminhamento de todos os filhos para as carreiras jurídicas, um pai mais de exemplos do que palavras, ao contrário da criação de hoje, mais de palavras do que exemplos.’
O corpo foi velado ontem no Cemitério de Vila Mariana, em São Paulo. Hoje, ao meio-dia, haverá cerimônia religiosa de corpo presente para amigos e familiares no Crematório de Vila Alpina, onde também será cremado nas próximas horas.
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