Segunda-feira, dia 6, sete da noite. Franciele Evangelista, de 25 anos, telefona para a mãe, Irene Silvério, 43, e pergunta se ela poderia ficar com o seu filho Marcos Vinícius, 9. Moradora de Itirapuã, Fran precisava levar o marido, Arnaldo Fornel Júnior, para fazer um curso em Franca. “Quando meu neto chegou, liguei para ela e avisei. Eu falei: ‘fica com Deus’. E ela, respondeu: ‘Amém, fica com Deus também”. Foi o último diálogo entre mãe e filha.
Por volta das dez e meia, Irene recebeu a visita da irmã. Não era para um simples café. Ela foi informada que Franciele havia sofrido um acidente de trânsito. Foi poupada dos detalhes. Pouco depois, seguiu para a casa da irmã. A movimentação de familiares e conhecidos no imóvel era grande. Pediu para ser levada à rodovia para ver a filha e o genro. “Falaram para eu me acalmar, que iriam me levar lá.” Os parentes estavam ganhando tempo até a ambulância chegar. “Quando a enfermeira chegou, ela foi logo falando que o Juninho estava vivo, mas que a Franciele tinha morrido. Entrei em desespero. Meu mundo desabou. Queria vê-la de qualquer jeito. A Fran tinha acabado de realizar o sonho de se casar.”
Um mês após ter subido ao altar, os sonhos e planos futuros da bela jovem ao lado do marido foram bruscamente interrompidos por um motorista bêbado. O casal retornava de Franca para Itirapuã, quando a moto que ocupavam foi atingida por uma Pampa dirigida pelo sitiante Wirlene Ferreira da Costa, 65. “O carro invadiu totalmente a pista contrária e pegou a moto a um metro do acostamento. O motorista selou a sorte dela”, afirmou o perito Edmilson Martins. Franciele morreu na hora. Arnaldo quebrou a perna em dois lugares.
O motorista admitiu ao Comércio que havia bebido. O teste do bafômetro apontou que apresentava 0,56 miligramas de álcool por litro de ar. O limite para não ser considerado crime de trânsito, que resulta em prisão, é 0,33. Foi solto após pagar fiança de R$ 2.172 e responderá ao processo em liberdade.
Um comentário que fez durante a entrevista ao jornal enquanto familiares choravam a morte de Franciele provocou revolta. “A batida acabou com a minha caminhonete.”
A mãe de Franciele não se conforma com as palavras ditas pelo motorista. “E a minha filha? Onde é que ficou? Dinheiro nenhum vai trazer ela de volta, mas eu quero justiça. É difícil perdoar. Ele tirou uma vida minha. Só quem perde para ter a noção da dor que estou sentido.”
Irene não tem se alimentado. Também não consegue dormir direito. “Meu coração está vazio. Penso nela a todo momento. A Fran me deixou um fruto, que é o filho dela. Peço a Deus para me dar condições para eu poder criá-lo.” A mãe de Franciele fez um apelo aos motoristas. “Não sou contra quem bebe. Bebe, mas não pegue a pista para tirar a vida de pessoas inocentes. É muito difícil. Principalmente, para uma mãe.”
A missa de sétimo dia de Franciele será realizada neste domingo, às 19 horas, na Igreja Nossa Senhora Aparecida de Itirapuã.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.