Festa do Batismo do Senhor


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A Igreja Católica encerra o tempo litúrgico do Natal com a festa de hoje. Embora a liturgia não fale do nosso batismo, é possível associar nossa missão de batizados com a missão que Jesus recebeu de Deus ao ser batizado. Vejamos a Palavra de Deus contida em Isaías 42, Atos dos apóstolos 10 e Mateus 3.

Primeira Leitura — Isaías 42: O autor introduz o personagem chamado ‘o Servo do Senhor’, no qual os primeiros cristãos identificaram a imagem de Jesus. Começa numa sexta-feira, 7 de abril do trigésimo ano d.C., dia em que Jesus foi condenado. Os discípulos se interrogam como pôde ter acontecido. Recorrem às Sagradas Escrituras, buscando luz, e encontram no livro de Isaías a história do ‘servo’ que, após processo iníquo, é arrancado do meio dos que ele queria libertar. mesmas pessoas que ele queria libertar.

Começam então a entender: Deus não segue a lógica dos homens. Julgam vencedor quem consegue dominar com o emprego da força; quem recorre à violência para derrotar inimigos. O Senhor atinge objetivos com métodos opostos: bondade, o dom de si, a entrega da sua vida. Percebem que aquilo que o profeta disse do ‘Servo do Senhor’ se realizou plenamente em Jesus de Nazaré. A leitura prossegue apresentando a obra que este servo está destinado a cumprir; anunciará o direito a todos os povos, e o modo de fazer, descrevendo o que ele não fará. Não se comportará como os dominadores. Servindo-se de figuras, a leitura apresenta a missão do ‘Servo’: será luz para as nações, abrirá os olhos aos cegos, libertará os encarcerados e os escravos que andam nas trevas.

Segunda leitura — Atos dos Apóstolos 10: É parte do discurso de Pedro na casa de Cornélio, em Cesaréia. Na Igreja primitiva havia uma questão muito debatida: podiam ou não os pagãos serem admitidos ao Batismo? Pedro era contrário, mas, iluminado pelo Espírito, entendeu que o Senhor não faz acepção de pessoas, não existem homens puros e impuros. Os que acreditam em Deus e praticam caridade, sejam de que etnia for, são agradáveis. A obra de Jesus era difícil e dura, mas conseguiu levar a bom termo porque Deus estava com ele. A salvação começou na Galileia, quando João estava batizando ao longo do Jordão.

Evangelho — Mateus 3: João se servia do batismo como rito de aceitação no grupo dos seus discípulos. Eram batizados os que decidiam mudar de vida e preparar-se para a vinda do Messias. A primeira condição era aceitar-se como pecador. Mateus introduz no episódio o diálogo entre o Batista, que se recusa a batizar alguém superior a ele, e Jesus, que, ao contrário, insiste para que ‘se cumpra o projeto de salvação estabelecido por Deus’. Ai está a resposta à primeira das questões: por que Jesus pediu para ser batizado? Quis, desde o início de sua vida pública, colocar-se ao lado dos pecadores, se fez um deles, aceitou a condição deles para percorrer junto, o caminho que conduz à liberdade.

O Batismo de Jesus foi acompanhado por três fatos singulares: ‘os céus se abriram, o Espírito Santo desceu sob a forma de pomba, ouviu-se uma voz do céu’. Usando a imagem dos ‘céus abertos’, ensina que o início da atividade pública de Jesus marcou o momento da reconciliação entre o céu e a terra, entre Deus e os homens. A imagem da pomba relembra o tempo do dilúvio. O céu estava fechado, havia inimizade entre Deus e os homens. A pomba com o raminho de oliveira foi o sinal de que a paz havia sido restabelecida. A ‘voz do céu’ é expressão dos rabinos daquele tempo, quando pretendiam manifestar o pensamento de Deus. No texto quer dizer que Deus proclamou solenemente que Jesus é o ‘Servo’ fiel e predileto de quem fala a primeira leitura. É ele ‘o Filho predileto no qual se compraz, embora apareça aos olhos dos homens como um ser fraco, até como um pecador’.

Monsenhor José Geraldo Segantin
administrador diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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