Ano atípico


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Vem ai o carnaval, ‘comissão de frente’ de 2014. Logo após, todas as ‘baterias’ de marketing estarão focadas na Copa Mundo, que, depois de 65 anos, será realizada de novo no Brasil. Embora grande favorito, a Alemanha, Espanha, Argentina e Itália são consideradas forças capazes de provocar mais um ‘maracanaço’, como ficou conhecida a inesquecível derrota para o Uruguai, em 1950.

Passado o futebol, a classe política, que desde o ano passado articula-se para as eleições majoritárias, colocará seus ‘blocos nas ruas’ com os mesmos monótonos discursos: ‘fizemos mais e melhor’ (situação); e ‘fizeram menos e pior’ (oposição). O que realmente a população espera é que o foco da propaganda política deixe a mesmice de lado e debata, profundamente, projetos para as cinco importantíssimas reformas estruturais: política, tributária, trabalhista, judiciária e administrativa nas esferas federal, estaduais e municipais, capazes de reduzir custos, aumentar produtividade e melhorar a qualidade.

Essas reformas são estratégicas para vencermos nossos grandes desafios, o quarto ano seguido de crescimento abaixo da média dos países da América Latina — segundo previsão da CEPAL, forte pressão inflacionária, demanda maior da população por melhores serviços públicos, elevadíssima carga tributária e Custo Brasil incompatível com o retorno que se proporciona à população.

Para que os eloquentes discursos que os políticos brasileiros fizeram sobre a vida de Nelson Mandela (1918-2013) se transformem num tributo singular, esperamos que eles sigam ( apenas) um dos exemplos daquele líder: exercer cargo eletivo público somente uma vez na vida.

Para justificar a atipicidade deste ano, teremos o desfecho do mais famoso julgamento da nossa história política: o mensalão.

Faustino Vicente
Consultor de empresas, professor, advogado

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