Um fato muito difícil de aceitar


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O longo calvário que desembocou na morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, de apenas 26 anos, causou uma grande comoção em Franca. Mais uma vez, perde-se uma vida em circunstâncias não explicadas e resta apenas exigir que o caso seja investigado e os responsáveis recebam uma punição da Justiça, Não se pode deixar o caso cair no esquecimento e acontecer o que já ocorreu anteriormente: o esquecimento que deixa os responsáveis impunes.

Como o Comércio divulgou na edição de ontem (com repercussão nos jornalísticos da Rádio Difusora e em posts do Portal GCN), Luara morreu no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da Santa Casa depois de sofrer desde o dia 15 de dezembro com uma infecção urinária. De lá até a madrugada de quinta, quando morreu, passou oito vezes por atendimento no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Foi internada por duas vezes na Santa Casa de Franca, onde passou por duas cirurgias. Não resistiu. Para sua família, sua morte é o retrato do descaso no atendimento público de Saúde.

Na Santa Casa, a jovem foi atendida por cinco médicos diferentes sem que, segundo afirmaram seus familiares, um diagnóstico preciso fosse apresentado. Por fim, com um abcesso (espécie de ferida com pus) na região dos rins, os médicos resolveram fazer uma drenagem por videolaparoscopia. Mas a infecção continuou progredindo. Depois de uma cirurgia invasiva, ao deixar o centro cirúrgico Luara sofreu uma parada cardíaca. Levada ao CTI, não resistiu e morreu. Quase um mês de um calvário que se repete em diversos pontos do País sem que alguém, Poder Público ou autoridades médicas, apresente uma solução razoável.

Que a morte de Luara sirva como um (triste) exemplo para que as preocupações de todos nós se dirijam para a melhoria dos serviços públicos no País. Não podemos mais aceitar que a vida seja negligenciada e valha tão pouco. Não podemos aceitar que Luara, que não tinha histórico de problemas de saúde ou vícios, passe por uma agonia lenta e morra sem que ninguém, desde os responsáveis pelo gerenciamento da Santa Casa ou os médicos que a atenderam, venham a público dar uma satisfação à família.

A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, disse ainda na quinta-feira que deve apurar as circunstâncias em que a morte aconteceu. Para isso, determinou a abertura de uma sindicância. Também solicitou a abertura de investigação por parte do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) e da Comissão de Ética Médica da Santa Casa. A secretária afirmou que não faltou atendimento à paciente. Porém, ninguém disse isso, nem família e muito menos os órgãos de imprensa que cobriram o caso, este Comércio incluído. O que ninguém entende é como uma infecção urinária pode desembocar em morte. Tanto a família de Luara como a de outros quatro pacientes que morreram inexplicavelmente durante atendimento na Santa Casa desde outubro aguardam uma explicação. O hospital prefere o silêncio, como se isso fosse o suficiente para aplacar a dor das vítimas. Todos esperam respostas, para que este caso não acabe como outros, inexplicáveis e impunes.

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