Desfaçatez aviltante


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O Brasil tem todo o potencial para ser uma das maiores Nações do mundo. Um grande território, diversidades em todos os setores e uma capacidade enorme de superar desafios de sua população não são suficientes. De País de Terceiro Mundo hoje chegamos a emergente. Uma Nação emergente que cresce em níveis inferiores aos demais integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apresenta baixos índices sociais e, em que pesem os programas de distribuição de renda, conta com um grande número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Temos, sim, miseráveis, ao contrário do que apregoa o governo.

A recente crise dos presídios no Estado do Maranhão, que extrapolou os muros das superlotadas penitenciárias para atingir as ruas -- e os moradores - da capital São Luís, coloca sob os holofotes uma unidade da Federação que pode explicar as razões do Brasil não evoluir. Sob o comando de um membro da família Sarney ou de algum preposto há 50 anos, o Estado registra nas últimas décadas os mais baixos índices sociais e de desenvolvimento, num claro exemplo da política desastrosa que se faz por lá.

Um Estado pobre, com altos índices de criminalidade e de violência, mas com grande potencial turístico, vem sendo vilipendiado e depreciado em meio século onde se tornou feudo pessoal de uma família. Agora, em meio à crise, o jornal Folha de S.Paulo divulgou ontem que mais de R$ 1 milhão em alimentos deverão abastecer as casas oficiais da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB-MA), pelo período de um ano. Na lista de alimentos perecíveis, que totaliza R$ 617.514,61, chamam atenção os pedidos de 850 kg de filé-mignon limpo; quase duas toneladas e meia de camarão; além de 180 kg de salmão fresco e defumado e 80 kg de lagosta fresca. Somente de bebidas, entre refrigerantes e água mineral, serão 15.200 unidades (R$ 69.100,00).

Um verdadeiro escárnio para com uma população que não recebe quaisquer benefícios do governo estadual. Os moradores de São Luís não podem mais contar com transporte público no período noturno, por causa dos ônibus incendiados na semana passada. Os hospitais estão sucateados, faltam médicos e medicamentos para quem precisa, o ensino é de péssima qualidade e as condições de vida e saneamento são precárias. Enquanto isso, as mordomias permanecem. Como se problemas não existissem e o sistema prisional não estivesse em colapso. Até a polícia está com medo de sair às ruas.

Enquanto os políticos não se conscientizarem de que o dinheiro dos impostos deve ser aplicado na melhoria dos serviços públicos e das condições de vida de seus cidadãos, nunca deixaremos a posição de emergentes. A situação se repete em diversos pontos do País e atinge os Estados mais pobres, em maior ou menor grau. Sem uma tomada de posição de todos nós, estaremos fadados a reeleger sempre quem se considera acima do bem e do mal, contando com uma impunidade que felizmente já está acabando. Nossos votos podem mudar isso. E esperamos que isso comece a acontecer já em outubro deste ano.

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