Eletricista de 49 anos é preso em flagrante por espancar dois filhos


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A delegada Graciela Ambrósio, da Delegacia de Defesa da Mulher, disse que a continuidade da prisão do pai depende da Justiça
A delegada Graciela Ambrósio, da Delegacia de Defesa da Mulher, disse que a continuidade da prisão do pai depende da Justiça

Um eletricista de 49 anos, do Parque São Jorge, foi preso em flagrante no final da noite de terça-feira, após espancar seus dois filhos - uma menina de 14 e um garoto de 6 anos. O indivíduo foi autuado com base na lei Maria da Penha e ficará no CDP (Centro de Detenção Provisória) até uma decisão judicial. Em depoimento, as crianças disseram que essa não é a primeira vez que são agredidas pelo pai.

O caso aconteceu na casa da mãe e ex-mulher do eletricista, uma vendedora de 27 anos, na zona Sul da cidade. Ela percebeu o comportamento estranho da filha, que havia passado o dia todo com o pai. Depois de várias perguntas, a jovem de 14 anos confessou que havia apanhado, provocando a fúria da mãe. Foram cerca de 20 minutos de discussão e empurrões, até o eletricista perder o controle, ameaçar a vendedora, dar um soco no rosto da filha e machucar o braço do garoto.

Foi então que, por volta das 20 horas, uma denúncia anônima avisou a Polícia Militar sobre a confusão. Ao chegar no local, os policiais constataram as escoriações e conduziram as partes até o Plantão Policial, onde foi ratificada a prisão em flagrante do eletricista por lesão com base na Maria da Penha.

O Conselho Tutelar foi acionado e será o responsável pelo acompanhamento psicológico das crianças. O órgão também auxiliará a vendedora na tentativa de reaver a guarda dos três filhos (o outro, um menino de 9 anos, estava na casa da madrasta na hora da confusão) que teve com o eletricista.

As agressões
Em entrevista ao Comércio, a vendedora disse que ficou casada com o eletricista durante 10 anos. “Ele sempre foi violento. Desde que casamos, nunca tive um momento de alegria”, afirmou. “Para se ter uma ideia, quando ele viajava, eu aproveitava e usava cebola nas refeições. Ele odeia cebola. Uma vez, ele chegou mais cedo e quando viu que havia cebola na janta, jogou tudo fora e me bateu.”

Já os filhos, segundo ela, passaram a ser agredidos logo após a separação, há cerca de seis anos. “Ele sempre abusou dos meninos. Mandava trabalhar para ele, fazer todo tipo de coisa. E quando as crianças faziam alguma bobagem, ele batia.”

A vendedora disse ainda que nunca denunciou o ex-marido por medo de uma represália. “Para ser sincera, estou com mais medo agora do que nunca, porque ele vai sair (do CDP) e tenho certeza que ele vai querer se vingar. Mas preciso confiar em Deus e na polícia.”

De acordo com a delegada responsável pela Delegacia da Mulher (DDM), Graciela Ambrósio, casos como esse dependem de uma análise judicial. “Caso o juiz julgue que esse indivíduo represente uma ameaça, ele pode pedir uma prisão preventiva. Porém, ele pode entender que esse seja o caso para uma medida cautelar, em que o indiciado não pode se aproximar das vítimas.”

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