Perícia indica que bêbado invadiu pista e matou jovem na rodovia


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Comoção marcou o velório da sapateira Franciele Aparecida Silvério Evangelista, na tarde de ontem, em Itirapuã
Comoção marcou o velório da sapateira Franciele Aparecida Silvério Evangelista, na tarde de ontem, em Itirapuã

O trabalho da perícia indica que o sitiante Wirlene Ferreira da Costa, 65, foi o responsável pelo acidente que causou a morte da sapateira Franciele Aparecida Silvério Evangelista, 25, segunda-feira à noite na rodovia Ronan Rocha. “Ele selou a sorte dela”, afirmou o perito Edmilson Martins. O profissional com 21 anos de experiência em elaborar laudos afirmou que o motorista, autuado em flagrante por embriaguez ao volante, invadiu a pista contrária e atingiu a moto próximo do acostamento. O resultado foi decisivo para a Polícia Civil indiciá-lo por homicídio doloso. Wirlene está solto e responderá ao processo em liberdade.

Franciele e o marido Arnaldo Fornel Júnior retornavam de Franca para Itirapuã em uma moto. No sentido contrário, Wirlene dirigia uma Pampa. Na altura do quilômetro 13, trecho de pista simples entre Patrocínio Paulista e Itirapuã, os dois veículos bateram de frente. A sapateira morreu na hora.

Entrevistado pelo Comércio, Wirlene admitiu que havia bebido em Delfinópolis (MG), onde foi assistir a uma apresentação de folia de Reis. “Claro que bebi. Tomei duas ou três latinhas de cerveja com os amigos. Tomei e vim embora”, disse.


O sitiante Wirlene Ferreira da Costa, 65, admitiu que bebeu cerveja
Foto: Divaldo Moreira/Comércio da Franca

Escuridão
O motorista foi submetido ao teste do bafômetro. O resultado apontou que ele apresentava 0,56 miligramas de álcool por litro de ar. O limite para não ser considerado crime de trânsito, que resulta em prisão, é 0,33. Ele foi conduzido à delegacia de Patrocínio Paulista e autuado em flagrante por embriaguez ao volante. “Como no momento não foi possível estabelecer a culpa, por causa da escuridão, não tive como autuar o motorista em flagrante por homicídio. Foi feito o flagrante por embriaguez ao volante e fixada uma fiança de R$ 2,1 mil. Ele pagou para, solto, se defender”, disse o delegado Dalmo Mateus Polo.

Clareza
Na manhã de ontem, a perícia retornou ao local do acidente e tirou as dúvidas existentes ao examinar os vestígios deixados pelo pneu dianteiro esquerdo da Pampa, que travou com o choque. As manchas de sangue da vítima também ajudaram no esclarecimento. “A Pampa estava totalmente na contramão. O sítio da colisão aconteceu a um metro de distância do acostamento, do outro lado da pista. O pneu travou com a batida e foi demarcando o trajeto até o ponto em que o carro parou. O motorista selou a sorte dela (da vítima) ao invadir a pista contrária”, afirmou o perito Edmilson Martins.

De posse da informação, o delegado Dalmo Polo abriu um inquérito e denunciará o motorista por homicídio doloso por dolo eventual, o que poderá levá-lo a júri. “Ele não teve a intenção, mas assumiu o risco de provocar o acidente ao dirigir embriagado. É possível que eu represente à Justiça pela prisão deste indivíduo. Não resta a menor dúvida de que ele foi o causador do acidente. Isso está comprovado”, concluiu Dalmo Polo.

O delegado pretende ouvir o marido de Franciele antes de concluir o inquérito. No máximo em dez dias, a denúncia será feita à Justiça. Enquanto isso, familiares e amigos choram a morte de Franciele, que foi sepultada no começo da noite de ontem, e esperam que o motorista possa pagar pela tragédia que causou. 

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