Bêbado bate em moto e mata sapateira de 25 anos casada há um mês


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Parte frontal da Pampa que atingiu moto pilotada pela vítima ficou bastante destruída
Parte frontal da Pampa que atingiu moto pilotada pela vítima ficou bastante destruída

O sitiante Wirlene Ferreira da Costa, 65, saiu de Cristais Paulista, ontem, e foi até Delfinópolis (MG). Pretendia aproveitar o dia 6 de janeiro e assistir a alguma apresentação de Folia de Reis. Bebeu cerveja com amigos. Já era noite quando decidiu voltar para casa. Ao passar pela rodovia Ronan Rocha, entre Itirapuã e Patrocínio Paulista, ele bateu de frente em uma moto pilotada pela sapateira Franciele Aparecida Silvério Evangelista, 25. Ela morreu na hora. O marido dela, Arnaldo Fornel Júnior, que estava na garupa, quebrou a perna e foi levado para a Santa Casa. Eles haviam se casado em dezembro. Wirlene teve que se esconder em uma viatura da polícia para não ser linchado.

O acidente aconteceu por volta das 22 horas na altura do quilômetro 13 da Ronan Rocha. O trecho é de pista simples e as faixas contínuas sinalizam que é proibido ultrapassar. Não havia testemunhas e pouco se sabe sobre as causas. Franciele e o marido retornavam de Franca para Itirapuã, onde moram e são donos de uma banca de pesponto de calçados. Wirlene fazia o sentido contrário na direção de um Ford Pampa.

Por motivos a serem esclarecidos, os veículos bateram de frente. O lado esquerdo da Pampa ficou destruído. Mechas de cabelo e massa encefálica da vítima ficaram presas na lataria. A moto parou no acostamento a cerca de 50 metros de distância. Franciele teve morte instantânea.

Minutos depois, populares começaram a se aglomerar no local. Familiares das vítimas também chegaram logo. Como os ânimos estavam exaltados e havia risco de agressão, o motorista do carro foi colocado em uma viatura da polícia. Com algumas escoriações na face, ele falou com o Comércio sobre o acidente. “Não tenho como falar muita coisa, não. A hora que eu vi, levei uma cacetada, uma pancada violenta demais. Acabou com a minha caminhonete.”

Wirlene disse que só após a chegada dos policiais foi que descobriu em que havia batido. “Nem sabia que era um motoqueiro. Só recebi uma bordoada, rápido assim. Não vi o que era.” Em seguida, contou que havia passado o dia se divertindo em Delfinópolis. “Fui lá para ver se tinha alguma companhia de folia de Reis. Tomei duas ou três latinhas de cerveja com os amigos. Tomei e vim embora. Não foi muito tempo, não. Sou do tipo do cara que não gosta de nada desarrumado”, disse o sitiante.

O motorista, que disse ter sido vereador e secretário municipal em Jeriquara, insistiu que é responsável e que sabia que não poderia estar dirigindo. “Sei que é proibido. Sou ciente de tudo. Se precisar de uma pessoa que gosta das coisas certas, é comigo. Pensa bem, acontecer isso comigo, rapaz, pensa bem...”

Após a entrevista, Wirlene foi submetido ao teste do bafômetro. O resultado apontou que ele apresentava 0,56 miligramas de álcool por litro de ar. O limite para não ser considerado crime de trânsito, que resulta em prisão, é 0,33. Ele foi conduzido à delegacia de Patrocínio Paulista, onde seria registrado o flagrante. Até o fechamento desta edição, não foi informado se ele ficaria preso ou pagaria a fiança. A família de Franciele decidirá hoje o horário e local do sepultamento.


Franciele Aparecida Silvério Evangelista

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