Um dos primeiros posts que fiz ao Facebook, este ano, foi uma foto de Copacabana, na manhã de primeiro de janeiro. Mostra o povo que permaneceu após o reveillon, em meio a toneladas de lixo. De estarrecer! Publiquei e provoquei: “deixo o comentário para você”. Cerca de 200 mensagens chegaram em minutos, a maioria — como era de se esperar — indignadas. Algumas traziam fotos de Londres, Times Square em Nova Iorque, Sidney na Austrália, também com lixo no chão. É evidente que reunir milhões deixa saldo de lixo, mas independente da questão de “quanto?”, olhar apenas sob esse ponto de vista me parece “síndrome de PT”: “Tá tudo bem. Os outros também fazem, a gente faz também.”
Alguns posts minimizaram: “o povo suja, mas a prefeitura limpa imediatamente”, lógica maluca que também se aplicaria a “o assassino mata, mas a polícia prende imediatamente”. É aquele maldito “mas” sobre o qual já escrevi e chamei de Conjunção Coordenativa Escusativa, que prepara a desculpa, transfere responsabilidades para terceiros, justifica desmandos, atenua consequências e torna normal e aceitável o que deveria ser rechaçado por imoral, ilegal ou desonesto.
A turma da Conjunção Coordenativa Escusativa transfere o problema para o Estado: “Tudo bem, o Estado cuida. O que é de todos, não é de ninguém”. São os que defendem o coletivo, tirando do indivíduo a responsabilidade pelo mal feito. Essa é a vanguarda do atraso, dos que querem direitos sem deveres, dos que se contentam com a tutela do Estado, dos que acham que liberdade é libertinagem. Sabe o que é pior? Quem escreveu essas barbaridades não foram estúpidos iletrados, ignorantes, gente “do mal”. Foram pessoas como eu e você, com acesso à educação, presentes nas mídias sociais, e que querem, realmente, o bem comum, mas não admitem que a culpa possa ser do indivíduo. Pois é. É aí que mora o perigo. Em 2014, de olho neles!
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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