Belas histórias podem surgir nos lugares mais improváveis. Aldeir Batista de Souza, 43, conheceu Andreia Tibúrcio, 39, no Abrigo Provisório de Franca e há três meses estão namorando.
O casal conta que a paquera começou quando Andreia passou a trabalhar junto com Aldeir na marcenaria do Abrigo. “Era um olhar de cá, outro de lá, e então passamos a conversar e trocar nossas histórias”, disse Aldeir. Porém, foi Andreia quem tomou a iniciativa de demonstrar que seu interesse pelo colega de trabalho ia além da amizade. “Não tive coragem de falar que estava interessada, então escrevi uma cartinha para ele.”
Andreia é natural do Rio de Janeiro (RJ) e está em Franca há seis meses. Ela saiu de sua cidade natal para trabalhar em Ribeirão Preto (SP), mas seus problemas começaram quando a empresa em que trabalhava fechou e ela perdeu o emprego. Andreia não conseguiu um novo trabalho e se mudou para Franca. Aqui, a mulher não teve novas oportunidades e acabou se envolvendo com drogas e entrando em depressão até procurar ajuda no Abrigo Provisório. “Hoje estou mais feliz e em paz. Ele (Aldeir) está sendo muito importante para mim, pois me ajudou muito quando cheguei aqui me sentindo em um buraco”, disse Andreia.
Já Aldeir veio de Niquelândia, Goiás, para Franca faz 20 anos. “Casei aqui e tenho três filhas. Mas depois que me separei, há cinco anos, comecei a ter problemas de saúde, nas minhas pernas”, afirma o marceneiro, que acabou ficando sem trabalho por conta da doença nos membros inferiores. “Cheguei a ficar 15 dias dentro de casa sem forças pra ficar em pé.”
Aldeir está no Abrigo Provisório há dois anos. No local aprendeu a profissão de marceneiro e hoje orienta os outros aprendizes da oficina de marcenaria do local. “Através desse serviço estou recuperando tudo de novo, até a autoestima melhorou. Hoje está muito mais fácil pra resolver minha vida quando for sair daqui.”
O casal contou que as regras do Abrigo são rígidas. No local, ambos têm hora para as refeições, dormir, e não podem passar a noite juntos. “Aqui a gente não pode namorar, mas a gente sai, dá uma ‘fugidinha’”, brincou Andreia. Os namorados também fazem planos para morarem juntos e até montar uma oficina de marcenaria. “Aonde ele for, vou junto, porque pra onde vai a corda vai a caçamba”, disse Andreia, que ainda completou “o amor faz você se transformar. A maioria das meninas que está perdida nas ruas é porque falta um objetivo para elas. Hoje tenho o meu.” Aldeir também demonstrou ter esperança de um futuro melhor ao lado da namorada. “Já tive fases boas na vida, mas também tive fases ruins, agora tenho esperança de dias melhores.” Andreia ainda completa dizendo “quero construir uma nova história.”
Cerca de 50 pessoas pernoitam no Abrigo Provisório de Franca diariamente. Recebem alimentação, orientação de assistentes sociais e psicólogos e auxílio para regularização de documentos. O local é mantido pela Prefeitura.
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