Epifania: festa dos Reis Magos


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A festa da Epifania é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. Os homens de boa vontade têm uma ‘estrela’, não cessam de ‘sonhar’ um caminho alternativo, que não passa pelos poderosos, mas nasce do menino-pastor. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas é Deus quem a ilumina, gerando forças e vida nova.

A PRIMEIRA LEITURA
se refere à cidade de Jerusalém, embora seu nome não seja mencionado. A situação da cidade é desanimadora. Teria Javé abandonado seu povo e a cidade santa? O papel do profeta aqui é suscitar ânimo e esperança. Javé continua sendo o esposo da cidade. Por causa do amor fiel que tem para com Jerusalém, esta será transformada em ponto de convergência da caminhada das nações.
É um marido apaixonado que deseja todo o bem à sua amada, ele é luz e permite à cidade participar dessa luz. A comunidade é sacramento do encontro com Deus. Sabemos que esse ideal não se concretizou em Jerusalém, pois ela recusou o Salvador. O Novo Testamento, na pessoa de Jesus, irá propor o Reino de Deus como alternativa contra os imperialismos que esmagam a vida do povo.

A SEGUNDA LEITURA
Carta aos Efésios, é um texto que Paulo, ou um discípulo seu escreveu para diversas comunidades das regiões próximas a Éfeso. Utiliza a palavra projeto de Deus. Prefere falar de mistério. Mas esse termo nada tem a ver com algo obscuro ou incompreensível. Pelo contrário, mistério corresponde à revelação do plano divino.
Pois bem, mediante esse Evangelho, todos são chamados à vida e à liberdade trazidas por Jesus. É disso que Paulo se torna anunciador e missionário, dedicando toda a vida à evangelização dos pagãos. Estes, pela adesão a Jesus, não são mais estrangeiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus.
A comunidade cristã não está subordinada a uma raça ou nação. Excluir alguém seria pertencer a um corpo mutilado. Seria eliminar a Cabeça (Cristo), pois ele veio para todos. A salvação é acessível, como oferta graciosa de Jesus, a todos, sem discriminação.

O EVANGELHO DE HOJE
mostra que o verdadeiro rei dos judeus não é o violento (assassino), prepotente e politiqueiro Herodes, estrangeiro idumeu, lacaio do poder romano opressor. Herodes e a cidade se agitam com o anúncio de novo rei. O verdadeiro rei dos judeus é recém-nascido com raízes no poder popular que se forma a partir do descontentamento e das necessidades básicas do povo.
Os magos são os primeiros a intuir isso, e seu desejo é adotar esse novo poder que nasce do pobre. São guiados por uma estrela que exprime as intuições mais puras e os anseios mais profundos da humanidade sedenta de paz, justiça, fraternidade. Os magos reconhecem a nova maneira de exercer realeza e poder. Aderem ao projeto de Deus que salva a partir do pequeno e do pobre, e não de poderosos e violentos como Herodes. O gesto de reconhecimento é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: ouro, incenso e mirra. Para os padres da Igreja, essas riquezas simbolizam a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a paixão de Jesus (mirra). Mostra que o caminho da salvação não passa por Jerusalém, e menos ainda tem algo a ver com o aparato político-repressor de Herodes. Os magos voltam para casa por outro caminho, que o discernimento lhes indicou.
O episódio recorda que é grave engano supor que salvação e a vida venham de poderosos. Os magos, ao tomar rumo novo, apontam para a novidade que nos espera e desafia no campo da evangelização.

Monsenhor José Geraldo Segantin
administrador diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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