Muito se fala em direito de ir-e-vir, mas sempre visando os que tiveram a opção de ficar perambulando, oriundos também de outras cidades, engrossando as fileiras dos pedintes a cada esquina ou praticando algo mais. As autoridades precisariam também preocupar-se com os mesmos direitos ao trabalhador, que luta para sustentar sua família, e tem se visto privado do direito de estar à vontade na rua e até mesmo dentro de sua casa, ameaçado pela violência. Onde está o direito de exercer o seu trabalho, sem precisar trancar o seu estabelecimento com grades, como se fosse um prisioneiro, ou até mudar de profissão, em razão de seguidos assaltos? Conheço vários exemplos de comerciantes que tomaram essa decisão, pois não aguentaram mais serem roubados depois de um dia inteiro de trabalho. Ou ainda, não ter mais o direito de sentar-se tranquilamente na porta de casa e conversar com os vizinhos, sem ser assaltado ou incomodado. Por isso, até o modelo das casas foi alterado: Sumiram os tradicionais alpendres para dar lugar a muros cada vez mais altos, grades, cercas elétricas e câmeras de vigilância. O povo foi às ruas protestar, mas as autoridades fingem que não entenderam o recado, que incluía um pedido de socorro por seus legítimos direitos. Se uma pesquisa fosse feita agora, veriam que a maior reclamação é, sem dúvida, por mais segurança e paz. Pelo seu sagrado direito de ir-e-vir e de trabalhar, honesta e tranquilamente.
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