Em meados do ano passado, quando a balança comercial brasileira passou a pesar desfavoravelmente, só registrando superávits por causa da venda de plataformas de petróleo, já vínhamos alertando: a indústria nacional vem se ressentindo de uma ampla reforma tributária que permitam que os produtos manufaturados recuperem a competitividade no mercado internacional. Além disso, a nefasta política de preços aplicada sobre a nossa principal empresa, a Petrobras, faz o pêndulo oscilar ainda mais, contaminando toda a cadeia produtiva, prejudicando até a criação de empregos.
De acordo com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a balança comercial brasileira encerrou o ano de 2013 com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 2,561 bilhões. Trata-se do pior resultado desde 2001, quando houve saldo positivo de US$ 2,684 bilhões. Os números estão de acordo com a expectativa do governo, que vinha anunciando estimativa de superávit pequeno, em função da queda das exportações de petróleo.
O saldo positivo anual foi resultado de US$ 242,1 bilhões em exportações e US$ 239,6 bilhões em importações. A média diária das vendas externas, que corresponde ao volume financeiro vendido por dia útil, fechou o ano em US$ 957,2 milhões, patamar 1% inferior aos US$ 966,4 milhões registrados em 2012. As importações cresceram 6,5% segundo o critério da média diária, de US$ 889,2 milhões por dia útil em 2012 para US$ 947,1 milhões em 2013.
As exportações de plataformas para extração de petróleo ajudaram a reforçar o superávit comercial em dezembro e no ano. Essas operações somaram US$ 1,155 bilhão no mês passado. No acumulado do ano, a exportações de plataformas para extração de petróleo somaram US$ 7,736 bilhões, alta de 426,4% em relação a 2012. Ou seja, não fosse este resultado, a balança comercial teria registrado um déficit histórico. Esta é a maior prova do desacerto que cerca a economia brasileira, desde a produção até a comercialização.
Enquanto não houver uma política específica para o setor produtivo brasileiro, aí incluídas a indústria e o agronegócio, empresas, empresários e agropecuárias continuarão caminhando em uma verdadeira corda-bamba, sujeito aos humores da equipe econômica do governo federal e do mercado, inclusive internacional. Uma reforma tributária, que crie uma verdadeira justiça no pagamento de tributos, impostos e taxas é necessária para que não fiquemos reféns de políticas pontuais de desonerações que perderam os efeitos dois anos atrás. A queda do IPI não foi suficiente para alavancar as vendas de veículos em 2013, criando ainda uma alta inadimplência causada pelos benefícios de anos anteriores. Por isso, a falta de seriedade para com o setor produtivo deve ser encarada como verdadeira incompetência para fazer com que a planta instalada no País consiga atingir a plena produção. Por isso, é importante que neste ano de eleições os programas e propostas dos candidatos sejam acompanhadas de perto para que a situação atual não perdure mais.
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