O setor calçadista de Franca fechará o ano de 2013 com um feito inédito nos anos 2000. Pela primeira vez, desde a década de 90, o número de trabalhadores com carteira assinada em empresas ligadas à fabricação de calçados ficará acima dos 28 mil. No ano retrasado, a média anual foi de 27.279 trabalhadores, volume esse que vem em evolução desde 2008.
A estimativa é confirmada pelos sindicatos patronal e dos sapateiros, que justificam o recorde histórico ao bom momento do mercado interno e às mudanças no comportamento das indústrias locais. “O mercado interno continua consumidor, com foco no consumo de vestuário, e é ele que está mantendo esta posição, dado ao aumento do poder aquisitivo da população”, disse o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto.
Para ele, contribui também o fato de Franca “ser especialista na produção de calçados masculino e não ter concorrência na América Latina, o que direciona os lojistas para compras no polo francano”.
‘Histórico’
Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, em janeiro de 2013 o setor possuía 24.739 trabalhadores, quantidade essa que chegou a 30.274 em setembro do mesmo ano. “Esse é um marco histórico no setor. Apesar das rescisões continuarem a existir no fim do ano, o número já é bem menor. Calculamos que faremos neste mês cerca de 1,5 mil rescisões contra 4 mil a 5 mil que eram feitas há três anos”, disse o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido.
O sindicalista diz ainda que, como a mão de obra está cada vez mais qualificada, ao mesmo tempo em que se torna escassa no mercado de trabalho, as empresas procuram evitar demissões com medo de não ter o funcionário no ano seguinte. “Os empresários não querem desfazer suas equipes, pois elas já estão acostumadas com o produto. Caso façam, isso acaba se tornando prejudicial mais tarde”, explicou Cândido.
Mudança
Acostumada a fazer o desligamento de funcionários em dezembro, a empresa Perlatto foi uma das que deixou esse ritual nesse último ano. Produtora de calçados masculinos e botas femininas, a fábrica, além de não demitir, está contratando. “Não vamos demitir em razão de estarmos preparando a coleção 2014, inclusive, temos funcionários em treinamento. Diferente de anos anteriores, estamos com previsão de pedidos até março”, disse a gestora de RH (Recursos Humanos), Milena Cardoso. A empresa produz 600 pares por dia e só paralisou as atividades no período das festas de fim de ano.
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