Este ano será pleno de eventos, a começar pela Copa do Mundo em junho, confirmando 12 estádios, modernamente chamados de ‘arenas’, reformados ou construídos a peso de ouro e de algumas vidas. Estamos também nos preparando para a Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro. E, já bem no início, o Carnaval.
No segundo semestre haverá a maior das festas, a celebração da democracia, com a realização das eleições para renovação das assembleias estaduais, da Câmara Federal, de parte do Senado, e para governadores e presidente da República. Festa completa, para celebrar quase três décadas de estabilidade democrática, de vivência nos preceitos da supremacia dos desejos populares. Um real avanço civilizatório. Nossa responsabilidade na escolha dos representantes e dos executivos é grande.
Nesse festivo ambiente, temos também problemas pela proa, dos quais muitos deles já foram objetos de análises e comentários por aqui. Na cesta de problemas estão a política tributária, sua meia-irmã, a política fiscal, a balança comercial e o controle da inflação. Uma cesta reduzida, meio esquisita, mas representativa do Brasil de hoje e das preocupações de amanhã.
Nossa carga tributária é excessiva e, apesar disso, os resultados são medíocres. A despesa corrente tem crescido muito e penalizado os investimentos. O superávit primário, ou seja, a economia para o pagamento de juros da dívida pública, visto pelo mercado como um termômetro da seriedade dos governos na contenção de gastos e administração das contas públicas, tem exigido do governo, para cumprir a meta, medidas não convencionais. A balança comercial do país encaminha-se para resultados não muito favoráveis. O pior de duas décadas. A pressão inflacionária, terrível ameaça, completa nossa cesta. Teremos festas, festejaremos a democracia, mas temos problemas também. Haja competência, capacidade. E esperança.
Vicente P. Oliveira
Economista; FEA-USP
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