Em meados de 2011, Cleusa Maria de Pádua, de 46 anos, não parava de menstruar e sentia fortes dores na região do abdômen. Seu marido, o modelista Alexandre Dias Forentino, resolveu levá-la ao hospital. Procurou a Santa Casa de Franca. “Eu me lembro que, quando chegamos, a médica examinou e disse que minha esposa tinha tido um aborto espontâneo. Estranhei porque ela já tinha 46 anos. Mas na hora nem falei nada”, disse ele.
O tratamento indicado era fazer uma curetagem para limpar o útero de Cleusa. “Por dias, ela tomou soro para dilatar o colo do útero, e nada. Continuava com sangramento e chorava de dor. Eu insisti para que ela fosse levada para Ribeirão Preto”, afirmou Forentino.
No Hospital das Clínicas, já em Ribeirão, veio um novo diagnóstico. “A médica ficou espantada e disse que, na realidade, minha mulher tinha um câncer avançado no cólo do útero. Fiquei em choque”, relembra.
Cleusa voltou para Franca e começou o tratamento oncológico. Mas novamente, segundo o modelista, o hospital teria errado. “Eles receitaram uma dose baixa de quimioterapia. O câncer se espalhou e minha mulher morreu em 2012.”
Eles tinham 14 anos de casamento. Alexandre não se conforma com o que aconteceu. “Como uma médica confunde um câncer com um aborto? Minha esposa podia estar vida hoje. Eu sei que o processo não trará ela de volta. Mas espero que faça a Santa Casa repensar o tratamento que é oferecido às pessoas.”
O processo contra o hospital foi aberto em 2011, quando Cleusa ainda estava em tratamento. Na ação, o pedido inicial de indenização é de R$ 25 mil. O valor pode ser revisto em virtude da morte da paciente.
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