Ceia e seus significados


| Tempo de leitura: 3 min
Nos pratos das nossas ceias, incorporamos hábitos de diversos locais do mundo: consumir peru, rabanadas, leitão. O salpicão é criação nossa
Nos pratos das nossas ceias, incorporamos hábitos de diversos locais do mundo: consumir peru, rabanadas, leitão. O salpicão é criação nossa

Confesso aos meus leitores: esse é o meu pior texto. É incrível como a cabeça da gente gosta de uma birra! É só alguém nos dizer: fulano você tem de fazer isso, pra imediatamente a gente começar a nutrir aquele gostinho pela revolta. O mesmo se dá com o tema arranjado, chegam-me ideias pagãs do Carnaval, mas não chegam do Natal ou do Réveillon. Fazer o quê? Pensar em comida, oras!

Gostei de pesquisar sobre os alimentos básicos que normalmente compõem nossas ceias, ainda mais ver aqui e ali pipocar a preocupação contra o desperdício, contra os excessos. Faço, a título de curiosidade, uma lista daquilo que seriam os principais pratos de nossas ceias. E o curioso é que incorporamos hábitos de diversos locais do mundo.

O principal deles, o mais significativo, nem sempre tão amado, é o peru. Esse, um prato que só se come no Natal, não representa necessariamente uma novidade, porque sempre dá ele: vê-se pela quantidade de perus nos supermercados. A tradição do peru é americana, é prato indispensável na comemoração do dia de Ação de Graças. Mas a história é um pouco mais antiga, antes mesmo da colonização inglesa da América do Norte, os bravos índios americanos já criavam peru com a finalidade da alimentação.

As rabanadas, essas são inequívocas e embora tenham se afastado um pouco das ceias, à sua visão há imediata associação ao Natal e aos portugueses. O doce é feito de pão, leite e ovos - e inicialmente as rabanadas eram indicadas para as mulheres parturientes, devido a força de recuperação de seus ingredientes. Doce tradicionalíssimo de Portugal tem receita datada do ano de 1500.

O leitão. Não posso dizer que a tradição veio de Minas Gerias, porque homens assam leitão em ocasiões especiais desde a fundação do Império Romano. Antes mesmo do surgimento da Ceia Cristã do Natal. A escolha, óbvio, é por seu alto valor nutritivo, pela gordura que dá aquele sabor e conserva incrivelmente a carne.

Salpicão. Deixei por último o caso mais curioso da ceia. Ao que parece nossa única criação para as ceias é o famoso salpicão. O nome foi importado, mas a maneira de se fazer é brasileira. A receita é bem democrática e aceita quase qualquer coisa, mas há que se colocar a cenoura, a batata palha, a maçã, o frango e a uva passa. Como molho alguns usam a maionese, outros preferem o creme de leite. Requisito indispensável: há que se gostar da mistura do doce com o sal.

É claro que imagens têm o npoder de requisitar a memória que traz consigo as sensações. Por isso um prato pode trazer de volta os natais, ou virada dos anos, que, ao lado de tantas pessoas queridas, já passamos. Daí que, se é o peru o responsável por dar vida ao que já morreu, ou simplesmente, ao que não é mais o mesmo, tudo bem, que venha o peru, ainda que não se goste dele. Boa sorte e muita fome a todos nós em 2014.


DICA DA SEMANA

Salpicão

Pode-se fazer um salpicão absolutamente maravilhoso. Um pouquinho de atenção para um grande salto de qualidade. Ele é perfeito para a ceia descontraída de Ano Novo que está prestes a acontecer, dá pra comer de pé, sem cerimônia, mesmo.

Ou, outra dica muito boa é comer como recheio. Pode- se usá-lo para rechear pãezinhos.

Use maçãs firmes, verdes e vermelhas Fugi. Use pimentões apenas amarelos e vermelhos. A carne poderá ser qualquer uma que tenha sobrado do Natal. Mas dê preferência para as defumadas, frango ou tender. E sempre bata a sua própria maionese, jamais use comprada.

E por último: faça a batata palha você mesma! Em hipótese alguma compre-a pronta, a diferença é incomensurável. Se dá trabalho? Sim. E Muito! Mas seu prato será a estrela da festa. Garanto!

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários