Câmara infla sobras e terá que cortar repasses a entidades


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Márcio do Flórida atacou Jépy Pereira: ‘O presidente se precipitou em nos falar os valores sem ter a certeza’
Márcio do Flórida atacou Jépy Pereira: ‘O presidente se precipitou em nos falar os valores sem ter a certeza’

Palco de diversas trapalhadas durante o ano, a Câmara não poderia se despedir de 2013 de maneira diferente. Há uma semana, Jépy Pereira (PSDB) reuniu os vereadores na sala da presidência e anunciou que sobrariam cerca de R$ 2,6 milhões do orçamento. Ficou combinado que os recursos seriam distribuídos para entidades. Cada parlamentar teria direito a uma cota e a fazer a livre indicação. O prazo para a apresentação da lista terminou segunda-feira. Os parlamentares correram para dar a boa notícia aos contemplados antes do Natal. Ontem, descobriu-se que a sobra foi superestimada em R$ 500 mil. O repasse às entidades terá que ser cortado em 30%.

Tradicionalmente, a Câmara devolve as sobras do orçamento à Prefeitura com a recomendação de que fossem destinadas a um órgão específico. Este ano, a fórmula foi alterada. Ficou acertado que o dinheiro excedente será repartido com entidades assistenciais e cada vereador poderá fazer a indicação.

O orçamento previsto para o Poder Legislativo este ano foi de R$ 8,2 milhões. Jépy Pereira anunciou que em torno de R$ 2,6 milhões não seriam utilizados. Durante a reunião que fez em seu gabinete, decidiu-se que R$ 1 milhão seriam “carimbados” para o “Alan Kardec” (R$ 300 mil), Apae, Santa Casa e Lar Dona Leonor (R$ 200 mil cada) e Lar de Ofélia (R$ 100 mil).

O restante, R$ 1,6 milhão, seria de livre indicação dos vereadores. Cada um teria uma cota de R$ 100 mil para distribuir. Eles passaram os últimos dias escolhendo para quais entidades os recursos seriam enviados. O grupo de voluntários do Hospital do Câncer foi um dos mais apontados.

Como, tecnicamente, o dinheiro é do município. A Câmara tem que fazer a devolução à Prefeitura, que assumiu o compromisso de fazer a partilha definida pelos vereadores. O cheque deveria ter sido entregue ontem na solenidade de prestação de contas do governo, mas o presidente teve que recuar após constatar que, na verdade, a sobra ficou muito abaixo do previsto inicialmente: R$ 2,1 milhões. “A contabilidade me informou o valor errado. Agora, teremos de nos reunir novamente para decidir como os valores serão divididos”, disse Jépy Pereira. A cota, que era de R$ 100 mil, deverá cair para R$ 70 mil.

O presidente espera sentar-se com os vereadores na segunda-feira para decidir como ficará a divisão. “Acredito que teremos de cortar os repasses em 30%”, disse Adérmis Marini (PSDB). “O presidente se precipitou em nos falar os valores sem ter a certeza. Muitos vereadores fizeram a indicação com base nos números e avisaram as entidades. Agora, se tiver de cortar, ficará muito ruim para a gente”, lamentou Márcio do Flórida (PT).

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