Falei aqui, dia destes, sobre a sociedade sem emoção que hoje somos. Contei sobre pessoas presentes à mesma mesa de uma praça de alimentação, prato esfriando à frente de cada um, e todos dedicados a seus celulares. Também, sobre o excesso quase indescritível: duas conversavam uma com a outra, mas... pelo Whatsapp! (está em http://gcn.net.br/jornal/index.php?codigo=229188).
Nunca estivemos tão conectados e tão isolados. Acabo de ler artigo do jornalista Stephen Marche, publicado no The Atlantic, denominado ‘Is Facebook Making Us Lonely? (O Facebook’ está nos tornando solitários?), texto recheado de dados de pesquisas realizadas em anos anteriores a 2012. A conclusão dele é relevante e exige reflexão: ‘não é o Facebook que está nos tornando mais solitários. Nós é que estamos’.
Estamos à beira de mais um ano, e é tempo de refletir e planejar melhorias pessoais. As pesquisas afirmam, no conjunto, que ‘estamos doentes mental e fisicamente’. Médicos consultados falam em ‘epidemia de solidão’. Estendi a pesquisa e fui atrás das características mentais e físicas detectadas: você perde a capacidade de se relacionar verbalmente (é muito grave! Ao se dedicar só a ‘curtir’ ou ‘descurtir’ e ao internetês, sem exercitar textos mais elaborados, o ‘doente’ deixa de estimular o pensamento, que se atrofia de forma a afastá-lo de contatos pessoais. A fala migra para a ‘ponta do dedo’. Esse cidadão tem dores no corpo, dorme mais do necessita, perde a agilidade mental, auditiva e visual quanto a detalhes reais, e, especialmente, é atingido por solidão sem remédio, a não ser o próprio smartphone. Não foi à toa que comparei essa dedicação quase ‘mórbida’ ao mundo virtual, à síndrome por droga.
É o grande sofisma deste tempo: vamos às redes sociais para nos conectar e, incrivelmente, estamos cada vez mais desconectados. Quem é que pode afirmar que os milhares que se conectam significarão algo, algum dia? Não se constróem mais relações permanentes, aquelas do olho no olho, tato, pele, confidência e confiança.
Este tempo de reposicionar. O mundo mágico da Internet está ai e — concordo — não há como fugir, mas o desafio é entender se milhares de compartilhadores que você nunca conhecerá para valer são melhores ou mais importantes que os estão a seu lado no mundo real, e você, drogado, não consegue ‘vê-los’ como tal? Você já percebeu que seu telefone quase não toca mais, com gente real do outro lado? Simples! A fala, como a conhecemos, a persistir o quadro, está condenada a desaparecer, e, com ela, aquilo de toque, de pele, de carinho, de emoção. Decididamente, não quero estar neste mundo cinza e sem graça. E não é questão de deixar, definitivamente a rede. É só controlar, equilibrar — hora da rede, hora da rede. Hora de gente, hora de gente —, se é que você é homem — ou mulher — de atitude suficiente para saber-se doente, quase um avatar inconsciente do que foi ou poderia ter sido.
‘CORTEM-LHE OS DEDOS’: Cortaram os dedos do jornalista para que não escrevesse mais. Algo como se estivesse nos dedos, a consciência crítica e a capacidade de argumentação.
VOTOS 2: Retribuo votos de bom Natal e Ano Novo: Wagner Voss e Decoz Campos, Sindifranca, Informamídia, Tracto, deputado Major Olímpio, líder do PDT na Assembleia Legislativa; Jorge Sandrim, Agenor Gado, Adriane Micheletti e meninas do marketing da APAE/Franca), Felipe Salomão (gostei da lembrança), sua mulher Anderci e família; Tiago Bachur e Fabrício Vieira (com a tradicional agenda personalizada); Paulo Rubens de Almeida, da Orseg; Cláudio Antônio Borges, direto de Santos, onde passa o final de ano com a família; Cristina Brandão, da APAE Ribeirão Preto; d. Augusta Paludetto, deputado Gilson de Souza e Alexandre Alonso, Ivan Afonso, do Parque Náutico de Jaguara. Também, a Sônia e Júnior Corrêa Neves, meus chefes no GCN.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.