Morreu o advogado tributarista e previdenciário José Vanderlei Falleiros, aos 69 anos


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José Vanderlei Falleiros foi sepultado ontem, no Cemitério da Saudade
José Vanderlei Falleiros foi sepultado ontem, no Cemitério da Saudade

Morreu em casa, na madrugada de ontem, terça-feira, dia 24, o ex-gestor de Recursos Humanos da Samello e advogado tributarista e previdenciário José Vanderlei Falleiros. O atestado de óbito registrou falência cardíaca. Há 15 anos foi vítima de um infarto do miocárdio e, de lá para cá, também acometido por diabetes, enfrentou período de ‘altos e baixos’, como disse sua família. Tinha abandonado o cigarro, mas, fiel a seu estilo festeiro, não se distanciou das delícias da boa comida, ele próprio cozinheiro de talento reconhecido pela família e amizades.

Era filho do ex-vereador por Franca, ex-dirigente da Sociedade São Vicente de Paula, de Franca e conceituado professor João Cândido Falleiros e Hermantina de Pádua Falleiros; irmão de Tonhão, Tadeu, Chicão, Rita de Cássia e Júlio Maria Falleiros, família conhecida pela dedicação ao ensino, empreendedorismo e cultura. Estava divorciado de seu primeiro casamento com Maria Pia Pimentel e também do segundo, com Lucimara do Val, enlaces dos quais nasceram seus cinco filhos, Dário, Moema (casada com João Carlos Archetti Conrado, moradores em Londres), Mariana (casada com Joe Powell), Míriam e Maria Laura.

Vanderlei atuou, por anos, na gestão de Recursos Humanos da Samello. Inquieto, estudioso e, ‘dado, a ponto de tirar a própria roupa do corpo para cobrir quem não tinha nada’, certamente estimulado pela filosofia vicentina praticada por seus pais, foi de tudo um pouco, mas, certamente, foi a cultura a maior de suas paixões. Dedicou-se ao teatro, e estimulou dezenas de jovens, nos anos 70, a tornarem-se pessoas melhores. É conhecida sua direção e montagem para o espetáculo A Hora de Pierrô, encenada no Teatro de Bolso da AEC/Centro e que permaneceu em cartaz por bom período.

Sua filha Mariana contou que o pai, apesar de feliz com a frequência de suas amizades à sua casa, o bom relacionamento alcançado a partir de seu perfil sempre para cima — ‘não havia quem, ao lado dele, permanecesse sério por muito tempo’ — teve um 2013 de maior preocupação com a saúde. Dia 15 deste mês, disse ela, ‘ele fez 69 anos. Como sempre, queria os filhos, netos e bons amigos, a seu lado. Alguns de nós não puderam estar presentes, e ele insistiu: ‘desculpo pelo anivesário, mas não, no Natal’. Nos últimos dias, os filhos foram chegando. Ele percorreu casas e os locais onde gostavam de estar, quase ansioso para ver a todos. ‘Fui a última a encontrá-lo. Bebemos vinho até a uma hora da manhã de ontem no novo bar Devassa. Fomos embora. Por volta de 3 da manhã, recebi telefonema dizendo que ele não estava bem, mas, certamente, estava feliz a seu modo, pois morreu com o cafuné de todos. Ao insistir em nos ver, parecia que sabia de algo que não sabíamos. Tinha razão. Jamais nos esqueceremos de sua alegria e do bom pai que foi’, completou.

Como advogado, Vanderlei não fez fortuna. Seus familiares disseram que ‘não cobrava a maioria de suas causas, porque tinha dó das pessoas’. Sobre as razões de ter feito advocacia — formou-se na Faculdade de Direito de Franca —, Mariana contou que ele se decidiu após ler, há muitos anos, notícia sobre garoto pobre que furtou um frango para levar à sua mãe e contribuir para melhorar a alimentação de irmãos. Foi preso. Vanderlei ficou pesaroso. Queria ajudar o menino. ‘Resolveu tornar-se advogado’.

Como especialista, auxiliou na instalação do CVV (Centro de Valorização da Vida), no qual também seu pai e mãe, João e Hermantina, foram plantonistas. Depois, novamente solicitado, e, ao lado do pai, ajudou Antônio Coelho Berbel, criador e administrador do primeiro centro de recuperação de drogadependentes de Franca — o DCNOVI (Desafio Cristão Nova Vida) — a ter sua sede rural, através de doação da Sociedade São Vicente de Paula.

O velório de Vanderlei, ocorrido no São Vicente, reuniu centenas de amizades, todas cativas de seu alto astral. Comentários vários o definiram como ‘boêmio feliz, poeta, gente muito família, alguém a quem nunca a tristeza conseguiu derrubar’. Familiares se referiram a ele como o ‘tiozão, favorito, engraçado, inesquecível’. O sepultamento, com trabalhos da Funerária Nova Franca, aconteceu no Cemitério da Saudade, às 16 horas de ontem.
 

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