O momento presta-se a levantar um balanço geral. A cada fim de ano, pessoas, famílias, empresas, governo costumam promover balanço do que foi feito e do que pretendem fazer no ano novo que se aproxima. Nossas preocupações neste espaço têm sido a economia brasileira e é dela que faremos essa ‘demonstração’.
Comecemos por aquilo que mais afeta o cidadão, ou seja, o fato de ser contribuinte obrigatório do Tesouro. Em 2012, chegamos a carga tributária de 35,85% do PIB, maior que a dos EUA e menor que a da França e da Itália. Certamente, neste ano de 2013 vamos superar os números de 2012.
Convenhamos, não palatável. Como o Tesouro arrecada tanto, seria natural que houvesse um retorno adequado de serviços para a população e investimentos para as necessidades de hoje e, sobretudo, para as do futuro. Nesse ponto, o balanço não é nada favorável.
De investimentos, ou no linguajar dos economistas, da formação bruta de capital, os números são, igualmente, decepcionantes. No setor fiscal, o volume das despesas tem criado dificuldades para a obtenção do chamado superávit primário. Em contrapartida, fez surgir, entre nós, a contabilidade criativa.
Quanto à evolução do PIB, a estimativa de crescimento deste ano chega a 2,3%, ante 2,5% previstos até então, mantida a indicação de que a atividade não vai acelerar em 2014. No que se refere aos preços, apesar do tom otimista das autoridades econômicas, a pressão inflacionária continua firme e você é testemunha disso, caro leitor. Num cenário de dificuldade de exportar para mercados em crise, o setor externo contribuiu negativamente para a economia do país. É que as exportações de bens e serviços caíram 1,4%, num ritmo maior de queda do que as importações (-0,1%) do segundo para o terceiro trimestre. O déficit nas contas externas é real.
Fecho desejando a todos um Feliz Natal, com esperança que o ‘próximo exercício’ tenha números (bem) melhores.
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP
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