O Natal de um menino do Jardim Vera Cruz que completou 12 anos há pouco mais de um mês está sendo comemorado atrás das grades. Apreendido em flagrante segunda-feira com maconha e papelotes de cocaína, ele, a princípio, acompanharia os festejos natalinos isolado em uma cela da cadeia do Jardim Guanabara. No final da noite foi transferido para a Fundação Casa. A mãe, ajudante de cozinha de 51 anos, disse que a medida adotada pela polícia lhe proporcionará momentos de paz, mas pede ajuda para internar o filho em um clínica. Ela teme que a criança saia da instituição e cumpra as ameaças que fez de lhe matar.
A apreensão do garoto ocorreu por acaso. Os policiais militares cabo Pereira e soldado Alex, no final da tarde de segunda-feira, se preparavam para encerrar mais um dia de trabalho quando se depararam com o menino saindo de uma mata do Vera Cruz. Ele estava fumando um baseado (cigarro de maconha), tentou fugir, mas não conseguiu.
Os PMs refizeram o trajeto percorrido pelo adolescente no interior da mata e dentro de uma sacola plástica localizaram nove porções de cocaína. Diante dos fatos, os policiais se deslocaram à residência do detido. A mãe autorizou e uma busca foi realizada no imóvel. No guarda roupas do quarto do menino foram localizadas mais sete porções de cocaína semelhantes às encontradas na mata, R$ 41 em dinheiro e material para embalar drogas.
No Plantão Policial, após tomar conhecimento de que era a terceira vez que a Polícia Militar flagrava o garoto com drogas, e que havia denúncias contra ele no disque-denúncia, o delegado Eduardo Lopes Bonfim elaborou os autos de apreensão em flagrante do menor.
O menino, que durante a ocorrência se portou de forma arrogante, imaginava que seria liberado. Após ser encaminhado a uma sala especial do plantão, e tomar conhecimento de que seria conduzido à Fundação Casa, ele passou a agir como criança. Aos berros ele gritava e implorava pela mãe. O delegado autorizou e a mulher ficou com o filho até sua condução à Fundação Casa.
‘Virou a cabeça’
“Não sei se tenho culpa ou se errei em alguma coisa.” As palavras são da mãe do garoto de 12 anos, apreendido em flagrante. Ela declarou que está “agonizando” por que não tem mais controle sobre o filho. “Ele me ataca, agride, faz ameaças de morte.”
A mulher não tem respostas para a mudança do filho. “Eu dava de tudo, por que ele era muito inteligente na escola, carinhoso. Mas virou a cabeça antes de completar 11 anos.” Ainda de acordo com a auxiliar de cozinha, o menino diz que não vai mudar o comportamento e que vai continuar (no mundo das drogas) até ela morrer.
Ao procurar ajuda do Conselho Tutelar, a mulher alega que foi informada de que deveria internar o filho em uma clínica para dependentes químicos, mas não tem dinheiro para bancar o tratamento. Ela pede ajuda para colocá-lo em uma casa de recuperação, mas teme que isto possa lhe custar a vida. “Ele já falou que me mata se for internado. Saindo da Fundação, eu temo que ele cumpra a promessa.”
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