O prefeito Alexande Ferreira (PSDB) fecha o primeiro ano de sua administração com uma quase unanimidade: conseguiu desagradar aliados e adversários. Até quem votou nele, acreditando que seria capaz de manter a dinâmica administrativa de Sidnei Rocha (PSDB), seu antecessor e mentor, hoje diz que se arrependeu. Criador e criatura afastaram-se logo nos primeiros meses do mandato e a cidade viu-se à mercê de um administrador acostumado a tomar decisões sem ouvir as partes interessadas. Alexandre Ferreira, enfim, deixou clara a sua inexperiência política.
A falta de traquejo ficou patente já no começo de seu mandato quando procurou cortar qualquer relação ou vínculo com Sidnei Rocha e a administração anterior, da qual participou por sete anos. Muitos viram ingratidão e outros enxergaram uma total falta de conhecimento político. Querendo repetir o estilo de Sidnei (o grande responsável por sua vitória nas eleições de 2012), Alexandre age sozinho sem ouvir ninguém e acaba trocando os pés pelas mãos. A persona política do ex-prefeito compensou, durante dois mandatos, qualquer traço de autoritarismo.
Sidnei Rocha conseguiu, cercado de assessores competentes, apagar os desastrosos oito anos anteriores de Gilmar Dominici (PT) à frente do Executivo Municipal. Já Alexandre Ferreira segue por caminhos tortuosos e nem sempre corretos e apaga qualquer avanço que o seu criador e ex-chefe conseguiu como prefeito. A história envolvendo o acordo fechado na surdina com a Empresa São José, ainda no primeiro semestre, ainda continua nebulosa e a população aguarda ansiosamente por uma resposta. Depois, o caso das vagas de estacionamento no centro -- uma decisão tomada sem qualquer consulta ou debate -- criou um desgaste desnecessário.
Agora, o prefeito francano consegue fechar o seu primeiro ano enfrentando o impacto negativo do abono que pretende destinar aos servidores municipais. No final de 2012, com Sidnei, cada funcionário municipal recebeu um abono de R$ 1 mil, pago ainda em dezembro, Alexandre apresentou proposta de R$ 300 a serem pagos no começo de janeiro. Embora tenha tentado explicar a sua decisão, o prefeito não consegue justificar as razões de tal diferença. Alega que um abono maior poderia prejudicar a Prefeitura Municipal diante da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), mas não esclarece porque a administração anterior conseguiu um abono mais de três vezes maior.
Os servidores, com razão, consideram a quantia “uma esmola”. A Câmara de Vereadores deve discutir o abono nesta segunda-feira, 23. Mais uma vez, a inabilidade do prefeito volta a criar polêmicas e atrair opiniões negativas e verdadeira revolta da categoria atingida. O ano de 2014 já deve começar com nova polêmica, com a intenção do prefeito em desapropriar um imóvel no Jardim Petráglia só para estocar merenda escolar. O caso, levantado pelo repórter político Edson Arantes, do Grupo GCN, promete repercutir nos próximos meses. Assim, ou Alexandre Ferreira consegue dotar sua administração de visão política ou então correrá o risco de terminar ilhado.
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