Tráfico de drogas na porta de escolas amedronta pais e alunos


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Mãe tirou a filha de 10 anos da Escola ‘Professor Antônio Fachada’, no Leporace, após traficantes oferecerem maconha a ela
Mãe tirou a filha de 10 anos da Escola ‘Professor Antônio Fachada’, no Leporace, após traficantes oferecerem maconha a ela

“Minha menina chegou em casa soluçando de tanto chorar, completamente desesperada. Ela ficou assim porque uns vagabundos oferecerem maconha pra ela! Maconha! Meu Deus, que mundo é esse?”. A indagação é feita por Maria (nome fictício), uma dona de casa que cuida sozinha da filha de 10 anos, que estava no 5º ano na Escola Estadual “Professor Antônio Fachada”, no Leporace. “Tirei ela da escola há um mês. Ela vai perder todo o ano, mas não tenho condições de aceitar que minha menina conviva com garotos de 15 e 16 anos oferecendo maconha para ela. Ela tem o sonho de ser juíza um dia e gosta de estudar, mas, infelizmente, já tentei de tudo. Deixar ela lá eu não posso.”

O relato desesperado dessa mãe resume o sentimento de inúmeras famílias e alunos que precisam conviver com o mundo do tráfico até mesmo na porta das escolas, em plena luz do dia. Durante cinco dias, a reportagem do Comércio acompanhou de perto a movimentação nas proximidades do “Antônio Fachada” entre meio-dia e 13 horas, horário de entrada dos alunos que estudam no período da tarde.

No local, foi comprovada a ação de um pequeno grupo de traficantes. Com aparência de 15 anos, quatro meninos se misturam aos alunos para conversar. Restando cerca de 10 minutos para o horário de entrada, eles acendem um cigarro de maconha e consomem a droga ali mesmo para atrair a atenção de possíveis clientes””.

Os traficantes estavam senta- dos em uma esquina próxima à escola. Quando o relógio marcava 12h48, um adolescente de camiseta bege chegou em sua bicicleta, cumprimentou todos da roda e rapidamente comprou um cigarro de maconha. O grupo foi para o outro lado da rua Úrsula Pousa Araújo Torres e, imediatamente, o entorpecente foi acesso. Apesar de haver crianças menores, com cerca de 10 anos, essas não foram vistas usando a droga, que passava de mão em mão entre os garotos maiores. Na hora da entrada, os traficantes foram embora e os clientes entraram na escola.

“Trabalho aqui há três anos e a primeira coisa que a patroa me falou foi para não limpar a calçada entre 12h30 e uma da tarde e sempre conferir se o portão está trancado nesse horário”, afirmou uma doméstica que trabalha em uma residência vizinha à “Antônio Fachada”, mas que preferiu não se identificar. “No começo tomei um susto enorme, aquele cheiro de mato queimado e aqueles moleques falando palavrão na porta de uma escola. Mas desde que trabalho aqui é assim.”

Ainda segundo o relato do pai de um menino de 14 anos, os banheiros dessa instituição se transformaram em fumódromos. “Direto meu filho chega em casa com dor de barriga de tanta vontade de fazer xixi, mas ele não tem coragem de usar os banheiros porque os alunos mais velhos fumam cigarros e usam maconha lá”, afirmou. “Já liguei várias vezes para a polícia, mas aí só uma viatura passa rapidamente na porta da escola e vai embora. Não resolve nada”, reclamou.

Outros pontos
O Comércio flagrou também o consumo de maconha nas proximidades da Escola Estadual ‘”Evaristo Fabrício”, no Jardim Aeroporto I. Numa quinta-feira, poucos minutos antes das 19 horas, dois rapazes aproveitaram o pôr do sol para fumar maconha nos fundos da Creche Sagrada Família, há poucos metros da escola. “Isso é normal, é rotina. Direto adolescentes com o uniforme da escola compram maconha e fumam aqui perto mesmo, pra quem quiser ver”, comentou um comerciante da área.

Outro ponto crítico, de acordo com moradores, fica na área central da cidade. “Aqui é de lei. Sempre foi e sempre será. Jovens comprando e fumando (maconha) aqui na porta ou nas praças que têm aqui perto”, disse o aposentado Raphael Lima, 74, que vive nas proximidades da Escola Estadual “Torquato Caleiro”. “Já briguei, chamei polícia e isso aqui não muda. Agora já desisti. Não sei o que pode ser feito pra melhorar. Nem com a delegacia (seccional) aqui perto eles respeitam. Já entreguei para Deus.”

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