Papai Noel existe. Quem duvida pode procurar o consultor financeiro Luiz Braga, 58, que até essa terça-feira, 24, atende as crianças na casinha que a Acif (Associação de Comércio e Indústria de Franca) montou no Centro da cidade. Com cinco anos de experiência na “função” (mas pela primeira vez assumindo o papel em Franca - ele nasceu e morou anos em São Paulo), ele se mostra preparado para encarnar o papel.
Quando Luiz tinha 5 anos, um tio seu se fantasiou, deixando o garoto maravilhado. A recordação jamais o deixou: em festas das empresas onde trabalhou, Luiz se fantasiava de Papai Noel, mas apenas de brincadeira. Por volta de cinco anos atrás, quando ainda morava em São Paulo, o consultor resolveu se caracterizar de verdade, deixando a barba e o cabelo crescerem para se tornar mais parecido com o personagem. Ele disse que demora oito meses para a barba e o cabelo atingirem o tamanho ideal. A primeira é mais complicada, porque, primeiramente, é preciso deixar um cavanhaque para que os pêlos ganhem forma e depois raspar a região do pescoço. “A barba coça e incomoda bastante, mas vale a pena pela caracterização. Achei que desse modo seria mais divertido. Um Papai Noel de barba falsa é todo estranho, com aquele algodão no rosto, e as crianças percebem. Elas acreditam que sou o Papai Noel mesmo. Todo dezembro, eu sou o Papai Noel, e também acredito nisso”, afirmou.
Essa segurança, afirma Luiz, é necessária para enfrentar a rotina de oito horas em que ele fica sentado em uma cadeira na casinha instalada na praça do Centro. “É preciso estar de excelente humor o tempo inteiro. Se você viver o personagem, é mais fácil. Mas não é um trabalho que cansa, é muito gratificante. Na chegada do Papai Noel, ver milhares de crianças gritarem, querendo te abraçar e te beijar é uma coisa maravilhosa.”
Mas o trabalho de Luiz vai muito além de ouvir as crianças pedirem brinquedos. Como preparação para viver o tradicional símbolo do Natal, ele quis até a estudar a história do mito do Papai Noel para poder responder a todas as perguntas das crianças. Ele também pede para elas rezarem, como forma de estimular a fé, e serem boazinhas. “A criança só pensa no brinquedo, então você tem que contribuir um pouquinho para a formação dela”, revela.
Nos cinco anos em que desenvolve o trabalho, Luiz se recorda de uma das visitas mais marcantes, que aconteceu ainda em São Paulo, quando uma criança humilde se ajoelhou e disse: “Ainda bem que deu tempo de te ver.” O menino havia viajado oito horas só para vê-lo. “Ele me disse que eu era o Natal, e queria me abraçar para ter o Natal. A criança não pediu nenhum brinquedo, só um abraço.”
O Natal dele
Na casinha do Papai Noel, Luiz é tão disputado quanto uma celebridade, mas quando chegar a hora dele próprio comemorar o Natal, a palavra-chave é simplicidade. Ele prefere passar a data ceando apenas com a sua família; a mulher e seu filho, que estuda medicina na Unifran (Universidade de Franca), motivo que os fez se mudarem para Franca há dois anos.
Na casinha
Durante as horas de serviço, Luiz é a tranquilidade em pessoa. Com crianças tímidas, sorridentes ou até assustadas, o Papai Noel trata a todos com muita calma e carinho. Um dos garotos a receberem atenção de Papai Noel foi Revi Júnior, de apenas três anos. “Nunca tinha visto o Papai Noel”, disse o garoto, olhando fixamente para o velhinho. Mas o encontro não deixou o menino acanhado. Luiz disse que os pedidos mais comuns que tem recebido das crianças é para ganharem eletrônicos, mas há quem escolha animais - e que não são nada comuns. Revi Júnior quer ganhar um cavalo de presente de Natal.
Luiz pede que as famílias não pensem só nos presentes neste Natal. “O que falta no mundo hoje é bondade. As pessoas, inclusive as crianças, estão muito violentas. Se você criar a criança com bondade, ela vai se tornar uma pessoa boa e vai passar isso para seus filhos e netos. Isso nunca morre.”
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