Neste domingo, o último do Advento, chegando ao ponto alto de nossa espera, despontam para nós os lampejos de um novo amanhecer, anunciando a chegada do Sol da justiça, o Emanuel, o Deus conosco. Ele é a manifestação do segredo escondido em Deus há séculos: a salvação, a vida plena e feliz para toda a humanidade.
O acendimento das quatro velas nos confirma a chegada plena da luz no seio bendito de Maria, grávida pelo Espírito Santo e na fiel obediência de José, o homem justo. Ambos, modelos do Advento, vivem ardente espera do Salvador em meio à obscuridade da fé e às ambiguidades e provas da frágil condição humana.
Mesmo na alucinação das compras natalinas, aturdidos pelos anúncios de um Natal esvaziado pelo consumismo e devotados ao ídolo mercantilista e tirano do dinheiro, a humanidade e todo o universo clamam esperançosos pelo Reino e se enternecem diante da simplicidade, da gratuidade, de relações verdadeiras, do serviço desinteressado do pequeno resto, da geração dos que buscam a Deus.
Sinalizam a chegada do ‘Emanuel e da força de seu Espírito’, gerando, com autenticidade e sem muito barulho, um mundo novo.
O evangelho de Mateus: O evangelho de Mateus se inicia com a genealogia de Jesus. Genealogia é um gênero literário para apresentar uma personalidade importante.
A partir do versículo 18, procura explicar como Jesus, nascido de maneira misteriosa de Maria, toma parte da linhagem de Davi e Abraão, através de José, que o adota como filho. O fato do nascimento legal de Jesus, afirmado pela genealogia, é o tema da narrativa evangélica. José, que é da família de Davi, recebe Jesus em sua linhagem.
Atualizando a palavra: ‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel’. Este domingo é de fato, uma festa de Maria.
A oração do dia de hoje tornou-se a conclusão da oração do ‘Ângelus’. Deus tem um plano de bondade para a humanidade, toma a iniciativa e o cumpre de forma desconcertante. Envia seu próprio filho.
Repara na humildade e na fidelidade de uma jovem que aceita em si mesma a obra de Deus, que quer vir ser Deus conosco. José fica perplexo, mas se abre para compreender a ação de Supremo. Deus vem habitar conosco; armou sua tenda entre nós.
Deus age, mas com a colaboração de pessoas que assumem com simplicidade e, às vezes, com dificuldades, sua responsabilidade, como aconteceu com José e Maria.
Deus quer salvar a humanidade, através de nós, pessoas humanas. Uma gravidez é sempre uma ocasião para pais e familiares se colocarem dentro de um mistério. A pessoa que está sendo tecida no ventre materno não é apenas obra humana, mas revela a presença do Criador.
A saudação ‘Não temas!’, dita pelo mensageiro a José, no texto de Mateus, e a Maria, em Lucas, é dita hoje a nós, para nos animar na missão de colaborar com o projeto de Deus e para que venham a nós a paz e a justiça tão sonhada.
Neste tempo de Advento, somos convidados a viver em profunda contemplação e admiração, fé e confiança. É tempo de gestação de novas relações no silêncio do cotidiano da vida.
A exemplo de José, somos encarregados de proteger as sementes de vida semeadas no ventre fecundo de nossas comunidades, nas organizações populares, entre os jovens e entre os pequenos.
Monsenhor José Geraldo Segantin
administrador diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br
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