Ano Novo, velhos livros


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Nunca se falou tanto em como devemos viver o dia de hoje: desde frases soltas a conselhos espirituais pregando que o ontem ‘já era’ e do amanhã ninguém sabe. Lamentar o ontem, não compensa. Projetar o amanhã é válido, mas, pode dar errado, mas, têm-se que ter otimismo. Viver no passado parece algo natural nos que amam colecionar. Meu escritório aparenta pequeno museu. Os objetos possuem relação com o antes, e me remetem ao futuro, à ideia de que alguém da família continue o legado. Se passado favorece tristeza, no futuro, talvez, o gosto por objetos antigos será trocado por antidepressivos.

Na política, prevalecer o receio ao novo. Viver momentos políticos já consagrados traz segurança e minimiza o fantasma do desemprego, da inflação e da falta de oportunidade. Talvez isso explique a popularidade de Dilma: aos olhos do povo, o hoje está bom, e, então, que não se mexa no time que está ganhando. O inconsciente coletivo tende a apoiar a política atual.

Mas o que tem de sentido adentrar o novo ano com reflexões perdidas entre livros antigos, peças de coleção de antiquários? Eu diria, quase tudo. O ser humano odeia o novo. Assim, tão logo nos conectamos no Facebook ou ouvimos que o excesso de passado é depressão e o futuro sinaliza ansiedade, vale aventurar à leitura de antiga enciclopédia, restaurar livro antigo livro. Se o dia está bom e o país segue indo, sentar e planejar uma nova estante de antigos livros não é excesso. Talvez seja, sim, anestesia do porvir, curtir objetos que um dia ficarão como uma pista de que jamais tomei antidepressivos... Agora, a grande pergunta: na política, o que seria do futuro se todos tomassem remédios e não fossem colecionadores? A resposta indicaria ansiedade, excesso de futuro. Portanto, que tenhamos todos um Feliz Ano-Novo!!!

Fernando Rizzolo
Advogado, jornalista, mestre em Direito Constitucional, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP

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