No Brasil, a falta de ética e transparência conduz a uma série de males que podem manter grande parte da população num estado de indigência, necessitando de um programa governamental assistencialista para conseguir condições dignas de sobrevivência. Milhões de brasileiros conseguiram melhorar a vida graças ao Bolsa Família, que destina uma pequena quantia para que possam desfrutar pelo menos de uma alimentação de melhor qualidade. Mas isso, evidentemente, é paliativo e não basta.
Um dos grandes males que atravancam o crescimento é a corrupção, que tem um custo estimado entre 1,38% a 2,3% do PIB, isto é, de R$ 50,8 bilhões a R$ 84,5 bilhões por ano, de acordo com um estudo feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) com base no PIB de 2010.
A corrupção no Brasil não está restrita apenas aos meios políticos nem envolve só quantias vultosas. Ela é praticada no dia-a-dia, com pequenos gestos que o brasileiro não considera como atos corruptos, como tentar subornar o guarda de trânsito, não exigir nota fiscal para pagar mais barato ou então burlar para não recolher os impostos devidos. Este último ato leva a um dos maiores rombos nos cofres públicos em todos os níveis. Uma ferramenta desenvolvida pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional surpreende pelos que revela. A sonegação fiscal em tempo real deve beirar os R$ 415 bilhões até o fim do ano. Com este valor, só para exemplificar, seria possível construir 13.328 presídios de segurança máxima ou distribuir 1 trilhão de cestas básicas ou pagar 5.712.318.881 bolsas família.
Na última quarta-feira, o placar online da sonegação fiscal no Brasil alcançou a casa dos R$ 400 bilhões. O ‘Sonegômetro’ (www.sonegometro .com) tem como intuito mobilizar e esclarecer a sociedade sobre os impactos da sonegação fiscal no Brasil. Para chegar ao contador, o Sindicato realizou um estudo que estabelece indicadores para a evasão fiscal. ‘Mais do que o tamanho do prejuízo, nossa intenção é chamar a atenção da população para a relação direta entre sonegação fiscal e corrupção’, aponta o presidente do Sindicato, Heráclio Camargo.
Além de impedir a entrada de dinheiro nos cofres públicos, a sonegação também é obstáculo para se realizar a verdadeira reforma que poderia promover a justiça tributária no País. Quem paga impostos, paga muito e é mal servido. Caso a sonegação não existisse e a corrupção deixasse de sangrar as verbas públicas, todos seriam beneficiados. Bens e serviços, com menor carga tributária, passariam a custar menos e, com pelo menos R$ 500 bilhões a mais por ano os investimentos em políticas públicas seriam incrementados.
Porém, ainda hoje uma parcela dos brasileiros, principalmente os que se beneficiam da corrupção e da sonegação, parece não ter consciência disso. O caminho para a criação de uma grande Nação passa pelo combate a estes dois grandes males que continuam sendo grades empecilhos ao crescimento e desenvolvimento. A partir do momento em que todos, sem exceção, criarem um espírito patriótico sabendo que o futuro do Brasil depende de nós, esta situação certamente poderá mudar.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.