Gato escaldado tem medo de água fria. Alvo de investigações no Ministério Público por, entre outras coisas, tentar burlar determinação do Tribunal de Contas, e alertado por colegas de plenário de que não poderia rasgar o regimento interno, o presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB) recuou na intenção de dar um jeitinho para votar o abono aos servidores ontem. Após cerca de 40 minutos de discussões, ficou resolvido que nova sessão extraordinária será realizada segunda-feira para autorizar o pagamento de R$ 300.
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) mandou a proposta fora do prazo para a Câmara. Deveria ter sido apresentada com 48 horas de antecedência, mas só chegou na véspera. Jépy sinalizou com a possibilidade de abrir um “precedente regimental” para votar o abono ontem. Daniel Radaeli (PMDB) o alertou para que não cometesse o erro. “Temos que seguir o regimento, caso contrário, amanhã poderemos sofrer consequências”.
Jépy não quis pagar para ver e se convenceu de que o melhor seria esperar. Ele fez referências indiretas às acusações internas que responde. “Sabemos como são os bastidores. A gente aprova e, de repente, surge uma denúncia anônima. Não quero correr este risco. Aqui é complicado. Tudo que se faz, tem aquelas questões, os senões, como eu havia dito, dos amebas”.
Decidido que a regra seria cumprida, criou-se o impasse em relação ao dia da sessão. “Sugiro que seja domingo depois da missa”, disse Laércinho (PP). A proposta foi analisada de maneira hilária. “Quem for a favor, levante o braço”, pediu Jépy. “Presidente, estou aqui atrás tirando fotos, mas levantei o braço. O senhor viu”?, Questionou Pastor Otávio (PTB).
A maioria dos braços levantados concordou com a sessão extraordinária na hora do almoço de domingo. Quando o resultado já havia sido proclamado e os vereadores se preparavam para votar outros itens da pauta, Zezinho Cabeleireiro (PTB) pediu a palavra. “Presidente, não concordo com a sessão no domingo. Vamos gastar com hora extra dos servidores”. Nova discussão se iniciou. Nova votação foi feita, desta vez, pelo painel eletrônico.
Por nove votos contra cinco, ficou decidido que a votação do abono ficará para segunda-feira, às 9 horas. A aprovação é consenso. O pagamento dos R$ 300 será depositado no dia 15. “O valor é pífio. A história de que não se pode dar mais por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal é mais uma desculpa do prefeito. Mais uma vez, os funcionários estão levando outro passa-moleque”, finalizou Radaeli.
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