Corrupção com dias contados?


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Ao mesmo tempo em que cerca de 80% dos brasileiros apontam os partidos e os políticos como corruptos e o Brasil conste como um dos países mais corruptos do mundo, ainda falta muito para que estes verdadeiros criminosos paguem pelos seus crimes. De acordo com relatório do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) do Ministério da Justiça, divulgado no final de 2012, das 548 mil pessoas que superlotavam as unidades prisionais do País, somente 722 estavam lá por terem praticado corrupção. Isso equivale a apenas 0,1% do total de presos do Brasil.

Neste ano, a prisão dos condenados por corrupção no julgamento do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, o empresário Marcos Valério Fernandes e os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), além de Natan Donadon e todos os outros envolvidos no esquema, deve alterar esta estatística de um ano atrás. Porém, ainda está longe de espelhar a realidade que vivemos. Casos de corrupção se multiplicam, mas as condenações se arrastam por causa da imensidão dos recursos, embargos e liminares em benefício dos réus.

Atualmente, existem outras 834 ações ou inquéritos contra políticos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Em 36% dos casos existem indícios fortes de crimes como lavagem de dinheiro, desvio de recursos, falsidade ideológica e até homicídio. Desde a Constituição de 1988, quando passou a ser foro privilegiado de autoridades, o STF pôs na cadeia dois deputados com mandato — Natan Donadon, que era filiado ao PMDB de Rondônia, acusado de desviar dinheiro da Assembleia Legislativa do Estado, e José Genoino, que posteriormente renunciou ao mandato.

Os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), que, como Genoino, foram condenados no escândalo do mensalão, também renunciaram ao mandato assim que saíram as suas ordens de prisão. Assim, apenas Donadon hoje mantém o mandato estando na cadeia. Porém, se não houvesse uma demora tão grande na tramitação do processo até a condenação (no caso do mensalão durou sete anos, além de mais de um ano para a efetiva prisão), com certeza a corrupção no Brasil poderia pelo menos arrefecer.

O problema dos corruptos e corruptores no Brasil é que eles não se envergonham da imoralidade cometida contra a Educação, a Saúde e o próprio futuro da Nação. Os números do sistema prisional mostram que eles tinham a certeza da impunidade. Afinal, poucos foram encarcerados por roubar dos cofres públicos. Com a prisão dos mensaleiros e a proximidade de outros julgamentos semelhantes (como o do Mensalão mineiro, que deve ocorrer no ano que vem), a população brasileira sente que os dias de impunidade acabaram. Afinal, quem rouba deve ser julgado, condenado e preso. Quem impede que o País consiga melhorar os serviços públicos, permitindo a existência de escolas que não ensinam e de hospitais que não conseguem atender aos pacientes, não merece contemplação. Merece mesmo xadrez.

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