O assassinato de Joaquim


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A frase é de Mandela: ‘Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram.’ Diz sobre realidade não circunscrita à África, e podemos encontrá-la aqui, bem perto de nós.

Há outra frase relevante: ‘Se você tem onde morar, consegue jantar e almoçar diariamente, tem acesso a água para beber e higienizar-se... pode considerar-se rico, parte da enorme minoria de pessoas no planeta’. A frase de Mandela não reflete simplesmente a desigualdade social ou a má distribuição de riquezas que trazem graves consequências à vida de milhões de pessoas... Vai além. Expõe o sofrimento causado a alguém a quem se veda o direito de viver dignamente, e. até mesmo. de existir! A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz, em 400 idiomas diferentes, que ‘Toda a pessoa tem direito a nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, vestuário, alojamento (...) serviços sociais necessários, (...) segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade’. (Artigo 25º, nº 1)

Esse documento, proclamado ‘como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios estados-membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição’.

Penso que Madiba, como o líder era carinhosamente chamado, tinha, dentro de si, esse ideal, mesmo e apesar dos 27 anos preso por desejar liberdade para seu povo. Sua luta valeu a pena. A segregação racial foi extinta na África do Sul, mas sempre haverá ‘gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram.’

Dilmo dos Santos
Deputado Estadual pelo PV

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