A Polícia de Franca está de luto. O agente policial Celso Alves de Freitas, 39, que estava lotado na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), morreu no início da tarde de sábado. Ele dirigia uma pick-up Corsa, 2003, preta, pela rodovia João Traficante, sentido Ibiraci (MG) a Franca. Na altura do km 3, o motorista Alex de Souza Ferreira, 25, de Ibiraci, que trafegava no sentido oposto em um caminhão GM/6000 Custom, 1995, branco, realizou ultrapassagem em local proibido e atingiu o Corsa. A violência do impacto causou a morte instantânea do policial. O trecho onde ocorreu o acidente precisou ser interditado. Ferreira não pagou a fiança de R$ 3 mil e acabou preso em flagrante.
Celso Freitas, que ingressou na polícia no dia 5 de janeiro de 2000, estava de plantão sábado e domingo . Ele viajava pela rodovia, a serviço, e deveria averiguar informações recebidas pelo serviço de inteligência da Polícia Civil. Ele voltava de uma diligência pela rodovia, sentido Franca.
No sentido Ibiraci, em um caminhão, trafegava Alex Ferreira, residente no bairro Santa Helena, em Ibiraci. Ele estava acompanhado do primo e auxiliar de serviços gerais Emerson da Silva Ferreira, 18, morador no mesmo bairro. Os dois deixaram a cidade mineira no período da manhã com a mudança de uma família. Após descarregar o bens em Franca, a dupla tomou a rodovia para retornar.
Por volta das 13h30, no km 3 da João Traficante, ocorreu a tragédia. O condutor do caminhão tentou ultrapassar um veículo e se deparou com o Corsa do policial no sentido oposto. Freitas tentou evitar a colisão frontal manobrando bruscamente para o lado direito, além do acostamento, mas teve seu carro atingido de forma violenta pelo caminhão.
A pick-up Corsa ficou completamente destruída. O policial morreu no local, preso às ferragens. O motorista não se feriu. O passageiro, com um corte na testa, foi socorrido pela UR (Unidade de Resgate) do Corpo de Bombeiros, medicado na Santa Casa, e liberado no início da noite, após o período de observação - ele chegou em Ibiraci por volta das 20h30. A mulher do policial, após saber da tragédia, entrou em estado choque e precisou ser socorrida.
Local proibido
O motorista, no depoimento que prestou à polícia, disse que conduzia o caminhão em velocidade moderada - cerca de 70 km por hora. Ele declarou que ultrapassou três veículos que seguiam em velocidade baixa antes do acidente e que, na altura do km 3, um Corsa de cor vermelha reduziu bruscamente a velocidade. Para não atingir a traseira do carro à frente, Ferreira alegou que manobrou à esquerda, invadiu a pista contrária e atingiu a pick up Corsa do policial, que vinha no sentido oposto. O ponto onde ocorreu a colisão possui faixa contínua para veículos que trafegam no sentido Ibiraci, ou seja, a ultrapassagem no local é proibida.
As marcas de frenagem apontam que o caminhão foi de encontro ao outro veículo. As marcas dos pneus do Corsa também indicam que o policial tentou evitar a colisão, manobrando bruscamente para o lado do acostamento. A velocidade que os dois veículos desenvolviam no momento da colisão sé será conhecida após a emissão dos laudos periciais. O trecho chegou a ser interditado por uma hora para o trabalho da perícia e retirada do que sobrou do Corsa. O caminhão foi entregue à familiares do motorista.
Teste negativo
PMs que atenderam à ocorrência realizaram teste do bafômetro em Ferreira. O resultado foi negativo para a presença de álcool em seu organismo. No Plantão Policial, ele foi autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção) na direção de veículo automotor.
Fiança no valor de R$ 3 mil foi estipulada para que o condutor do caminhão respondesse ao inquérito em liberdade. Como o valor não foi apresentado, Ferreira foi recolhido em uma cela especial da cadeia do Jardim Guanabara, de onde deve seguir nesta segunda-feira para o CDP (Centro de Detenção Provisória).
‘Membro da família’
“Ele era um policial de competência ímpar, dedicação sem igual e tinha amizade com todos. Perdemos muito mais que um amigo, perdemos um membro da família.” As palavras são do delegado da DIG, Márcio Garcia Murari, onde Celso Freitas estava lotado. Todo os colegas de profissão, sem exceção, expressaram palavras idênticas. O corpo do policial está sendo velado na sala 2 do Velório São Vicente de Paulo. O sepultamento está marcado para às 16h deste domingo, no Cemitério Santo Agostinho.
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