Vivendo a terceira semana do Advento, preparamos nosso interior para celebrar o Natal de Jesus. A Palavra de Deus, neste domingo, é muito rica, especial, falando do mundo novo, sem lugar para dor, choro ou doença. Vamos refletir sobre o que Deus nos reserva . As leituras são Isaias 35, Tiago 5, Mateus 11.
Primeira Leitura — Isaias 35: Pelo terceiro domingo consecutivo, a primeira leitura nos faz sonhar. Mais uma vez Isaías nos apresenta um mundo novo, completamente diferente deste no qual nos encontramos. Quando tomamos conhecimento das previsões que os cientistas divulgam sobre o futuro do mundo, ficamos estarrecidos com as catástrofes que anunciam.
O povo de Israel estava atravessando um dos piores períodos da sua história: Jerusalém e seu templo foram destruídos por soldados da Babilônia, os habitantes mais fortes foram deportados para país longínquo como escravos, e na cidade santa, transformada em ruínas, tinham permanecido somente os velhos, os doentes, as crianças. Mesmo diante dessas ruínas, o profeta enxerga, contra qualquer previsão, que começam a brotar no deserto, flores lindas e perfumadas, lírios, narcisos; e que em todos os lugares ressoam cânticos de alegria e de júbilo. Não tem mais sentido o desânimo, deixando pender os braços e vacilar as pernas.
A última parte apresenta o que acontecerá aos doentes e debilitados do povo: abrir-se-ão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos, o aleijado pulará como um cabrito, a língua do mundo se soltará em cantos de alegria. São os sinais que indicam a chegada do mundo novo, onde não haverá mais lugar para a doença, a dor, o pranto.
Segunda Leitura — Tg 5: Após ter-se dirigido aos ricos, Tiago se dirige aos pobres, recomendando paciência. Sede pacientes! Não vos queixeis, suportai-vos! Tiago se conscientiza de que há situações nas quais, depois de ter tentado tudo, não há outra saída se não esperar. Conclui: ‘no vosso sofrimento, fazei o que está ao vosso alcance, lutai para conseguir justiça, mas não cometais violência contra quem vos oprime e não vos queixeis.
Evangelho — Mt. 11: Aguardamos o Messias, mas não é fácil reconhecê-lo quando chega. Também Jesusnão foi compreendido. O próprio Batista ficou desorientado: havia revelado sinais que não aconteceram. Está na prisão. Recebe a visita dos seus discípulos e, desejoso como está de ver o advento do reino de Deus, mantém-se informado a respeito do comportamento daquele Jesus de Nazaré que ele apontou a todos como sendo o Messias. Nesse meio tempo, contudo, alguma coisa fez vacilar a sua fé. Aos enviados do Batista Jesus se apresenta como Messias, enumerando seis sinais, tomados de alguns textos de Isaías que encontramos na primeira leitura de hoje e que são: cura dos cegos, dos surdos, dos mudos, dos aleijados, a ressurreição dos mortos e o anúncio do Evangelho aos pobres. Todos são sinais de salvação, nenhum de condenação.
O Deus que se revelou em Jesus é muito diferente de nós, não pode ser medido pelos nossos sentimentos. Ele ama a todos, bons e maus, faz surgir o sol e envia a chuva sobre justos e injustos, porque todos são seus filhos.
A segunda parte do Evangelho contém três perguntas de Jesus a respeito de João. As respostas são óbvias: o Batista não é como o caniço que verga conforme a direção do vento; não é oportunista que se adapta a qualquer situação e não se inclina diante do poderoso do momento. Pelo contrário, é alguém capaz de atacar os próprios chefes políticos, é alguém capaz de enfrentar de peito aberto o rei, e não tem medo de dizer o que pensa. João era um profeta, e muito mais do que um profeta.
Monsenhor José Geraldo Segantin
administrador diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br
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