Nem só de hipertensão vive o salgado. Nas minhas andanças pela literatura sobre o sal, fiz minha maior descoberta: a Salicórnia. Que fique claro: descoberta minha, daquilo que já fora descoberto por outros. Não conhecia, nunca vi pra vender por aqui, nem experimentei a tal plantinha. Diz-se que pode dar em qualquer franja de mar, mas parece comum mesmo no mar dos portugueses. Inclusive com produção comercial.
Salicórnia é seu nome, nem o corretor do meu computador a reconhece, mesmo sendo uma parente da beterraba, embora nada parecidas. A Salicórnia se assemelha mesmo ao aspargo; é chamada de aspargo do mar.
Ela é uma planta bem estranha, nasce a beira mar e, por suportar altas taxas de salinidade, absorve-o e se torna no que está se convencionando chamar de sal verde. Por ser uma massa verde vegetal, sendo salgada naturalmente, dispensa aditivos químicos e refino, por isso mais saudável e menos ofensiva para os hipertensos.
O presente da Salicórnia é de glória, é gourmet, apenas mercados finos europeus a consomem - Alemanha, Bélgica, França e Espanha -, nem o próprio Portugal sabe bem o que fazer com ela, embora a produção saia de lá. O passado, no entanto, foi daninho: considerada uma praga nas salinas portuguesas, havia funcionários contratados para arrancá-las, uma vez que elas faziam uma espécie de cerca a esburacar o vento marinho que seca as salinas.
Pois bem, é bom lembrar que a Salicórnia é um vegetal e como tal pode ser consumido. Quando os caules e ramos são novos e tenros podem ser comidos crus, compondo uma fresca e bela salada. Ou simplesmente branqueá-lo, exatamente como se faz com o espargo, água fervente, cozinha- se levemente e, antes de chegar ao cozimento completo, retira- se da água quente e passa para a fria.
Dizem que a planta, mesmo adulta, agrega um sabor único e fresco de salmoura aos outros alimentos - colocá-la num cozido de peixe ou de frutos do mar intensifica o caráter de mar irreproduzível por qualquer outro alimento. Até onde pesquisei, acho que não é vendida nem por aqui, embora haja em Portugal produção comercial, a questão é acertar o teor de água, sal e umidade que a satisfaça.
Surpresa mesmo fiquei ao descobrir que essa mesma plantinha existe aqui no Brasil! A curiosidade de uma produtora de ervas aromáticas a levou a descobrir que uma das plantas que nascem espontaneamente no mangue de Santa Catarina era a tal, um pequeno capricho da natureza a unir antigos: colonizados e colonizadores.
DICA DA SEMANA
Pêssegos
Estamos na época de alta produção do pêssegos do tipo pingo de mel, que é nacional e estão deliciosos. Eu mesma comprei em dois ou três varejões da cidade e estavam muito saborosos. Aprovei. O preço, então, é ótimo. Cerca de R$ 2,80 o quilo. E eles são perfeitos para compota ou num churrasco, como excelente sobremesa. Corte ao meio, retire o caroço, pincele manteiga e salpique açúcar mascado. Deixe grelhar na churrasqueira e depois é só saborear. Eles ainda podem ser usados em pavês e saladas de frutas.
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