Já tivemos a oportunidade de externarmos aqui, neste mesmo espaço, que a ladainha dos petistas em defesa dos ‘companheiros’ sentenciados por causa do mensalão já estava cansando a maior parte da população brasileira. Insatisfeitos, ao não conseguir que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff engrossassem o coro, os petistas aproveitaram o 5º Congresso do partido, em Brasília para, em uníssono, berrarem contra a sentença da mais alta corte do País.
Ontem, em um ato de desagravo aos ‘companheiros injustiçados’ no processo do mensalão, petistas rebateram as acusações que levaram às condenações do ex-deputado José Genoino, do ex-ministro José Dirceu, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do deputado federal João Paulo Cunha (SP). Os militantes ouviram de parentes dos condenados questionamentos sobre provas e declarações de que o partido está sendo punido por ‘tirar milhares de pessoas da pobreza’.
Familiares de Dirceu e Genoino disseram que os dois foram condenados “sem provas”, atacando o STF por “violar garantias humanas” dos sentenciados no julgamento e de cometer “ilegalidades” na execução das sentenças. O deputado João Paulo Cunha, um dos próximos a ter a prisão determinada pelo Supremo, voltou a rebater as provas de sua condenação, atacou a divulgação do processo do mensalão pela imprensa, e disse que o Brasil vive “dias sombrios”. “É inegável o uso que fazem da mídia contra nós”, reclamou.
Durante o ato, os condenados eram chamados pelos petistas de “guerreiros do povo brasileiro”. Um grupo de militantes exibiu mais uma vez faixa pedindo a anulação do “julgamento de exceção”. Já líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), irmão de Genoino, disse que as condenações “sem provas” foram tentativas de “interditar” o projeto partidário petista.
É, como já se dizia nas primeiras décadas do século passado, uma patacoada só. Não se pode admitir que a investigação e o julgamento que levou mais de sete anos para ser concluído, sejam considerados políticos, como o classificam os líderes do PT. Todas as sentenças foram determinadas sobre um grande número de provas, que incluíram não só depoimentos dos envolvidos, mas documentos que tinham inclusive a assinatura de José Genoino, Delúbio Soares e Marcos Valério nos documentos de empréstimos fraudulentos. Todas as provas foram exaustivamente examinadas na fase do inquérito e permitiram à Procuradoria-geral da República pedir a condenação de toda a “quadrilha”. E não foi colocado em questão o passado de qualquer um dos implicados: todos foram julgados pelos crimes que cometeram e hoje cumprem pena por isso. Simples assim.
Com relação a culpar a mídia, isso já se tornou praxe. Culpa-se o mensageiro pela mensagem. A mídia divulgou as declarações do também condenado Roberto Jefferson (PTB) com relação à existência do mensalão, acompanhou as investigações, cobriu de maneira exemplar todo o processo e o julgamento, no qual todos os réus tiveram o mesmo espaço para se defender e apresentar provas de sua eventual inocência.
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