A inesgotável capacidade da Câmara de se envolver em confusões e criar polêmicas desnecessárias foi colocada à mostra novamente ontem. Após uma reunião a portas fechadas com sete vereadores, Jépy Pereira (PSDB) anunciou que denunciará sua colega de partido, Valéria Marson, à Comissão de Corregedoria. O “crime” cometido pela vereadora foi ter gravado e divulgado o áudio de uma reunião em que ele teria prometido apoiá-la nas eleições para a presidência. Valéria reclama de que o acordo não foi cumprido e Jépy, além disso, entrou na disputa e foi reeleito para continuar no cargo.
Jépy convocou os vereadores para discutir questões internas na sala da presidência no fim da tarde de ontem. A imprensa foi proibida de entrar. O presidente abriu a reunião falando da necessidade da Câmara contratar um advogado para defender três comissionados e ele próprio na ação popular, movida por servidores, em que é acusado de fazer nomeações irregulares. A proposta será analisada pelo plenário em reunião segunda ou terça-feira.
O item seguinte da pauta discutido na reunião secreta foi o caso dos grampos. Nos dias que antecederam as eleições para a presidência, realizadas no dia 5, Valéria Marson apresentou a pelo menos quatros vereadores áudios de uma conversa que manteve com Jépy. Valéria pretendia conquistar o voto dos colegas, o que não aconteceu. Derrotada nas eleições, a vereadora disse que foi traída por Jépy. “O mínimo que um político tem que fazer é honrar a palavra dele”, disse ela.
Jépy ficou irritado com a divulgação da gravação. Mesmo não tendo a concordância de todos os vereadores, ele decidiu encaminhar o caso à Corregedoria da Câmara. “É um ato que fere o decoro parlamentar. Você não pode gravar uma reunião partidária e divulgar o conteúdo sem autorização. Não estamos fazendo nenhuma caça às bruxas, mas não podemos admitir fatos como estes”, disse ele.
Marco Garcia (PPS) admitiu ter participado da reunião em que Valéria exibiu pelo celular o áudio com a voz de Jépy. “De fato, a gravação foi feita, mas não compromete ninguém. O Jépy apenas falou que não era candidato”.
Valéria não participou da reunião de ontem. No mesmo horário, ela participava de um casamento. Por telefone celular, a vereadora admitiu pela primeira vez ter gravado o presidente. “O celular estava em cima da mesa. Decidi gravar, pois sabia que ele estava jogando sujo comigo. Não vejo (a gravação) como quebra de decoro. Exibi apenas aos vereadores. O problema não é gravar. Grave é prometer e não cumprir”. Sobre o fato de ser levada à Corregedoria, ela acredita que seja orientação do governo. “Venho sendo traída pelo PSDB desde o ano passado, quando fui a mais votada e não me deixaram ser presidente. O Alexandre, que é o presidente, não atende às minhas indicações”, disse.
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