Reportagem de Bruno Piola e Priscilla Sales
Por causa de uma reestruturação realizada pelo grupo Cruzeiro do Sul, 189 funcionários foram demitidos pela Unifran (Universidade de Franca) ontem. Apesar dos números oficiais, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o número de dispensados pode ter chegado a mais de 220. De acordo com a instituição, 100 dos trabalhadores eram do setor técnico-administrativo e 89, tutores de Ensino a Distância. Os cortes pegaram muitos de surpresa e foram abrangentes, afetando desde o setor de jardinagem até a mulher do chanceler e um dos fundadores da Unifran, Clovis Ludovice.
A apenas duas semanas do Natal, o clima na manhã de ontem na universidade era fúnebre. Uma funcionária resumiu tudo: “Aqui está como um velório”. Quem passeava pelos corredores não podia deixar de observar as rodinhas de funcionários e professores, todos com rostos preocupados e apreensivos. Numa universidade com cerca de 10 mil estudantes, o silêncio imperava.
No local, a falta de diálogo se estendeu também para a imprensa: nenhum dos funcionários (demitidos ou não) quis gravar entrevistas oficialmente ou revelar suas identidades. Muitos apenas revelavam sua surpresa com o fato. “A demissão foi em massa. Não estávamos esperando, falavam que não ia acontecer nada”, disse uma funcionária demitida do Ensino a Distância.
Outra ex-funcionária destacou o quanto a demissão foi repentina: ela foi trabalhar ontem às 7h e já estava na rua às 10h. “De uma hora para outra, bloquearam o nosso sistema. Você tentava acessar o computador e dava conta desativada. Depois, veio um dos nossos superiores avisar que quem não conseguia mais entrar no sistema estava desligado da empresa”, disse ela, acrescentando que os demitidos cumprirão aviso prévio em casa.
Os cortes foram implacáveis: não escapou nem a supervisora de iniciação científica Maria Teresa Segantin Ludovice, que é casada com o chanceler da Unifran, Clovis Ludovice. Ela falou com a reportagem do Comércio da Franca por telefone e foi a única funcionária a não pedir anonimato ao ser entrevistada. Maria Teresa disse que mais de 220 pessoas foram demitidas; o número foi confirmado por outros ex-funcionários. “Como meu marido é um dos acionistas da Unifran (controlada pelo grupo Cruzeiro do Sul), eu não posso atuar na universidade. Está no estatuto deles, para não interferir nas ações. Eu era supervisora de iniciação científica, e esse setor não vai mais existir, não sei como vai ser agora. Eles demitiram funcionários que nasceram junto com a instituição. A Unifran está um destroço”, afirmou.
Em nota oficial, a Unifran comunicou que o objetivos dos cortes é integrar as suas operações das áreas técnico-administrativas e de Educação a Distância às demais instituições do grupo Cruzeiro, que incluem a Universidade Cruzeiro do Sul, Universidade Cidade de São Paulo, Centro Universitário do Distrito Federal e Centro Universitário Módulo. Assim, será possível “utilizar o potencial e os resultados de todas as Instituições da Cruzeiro do Sul Educacional para oferecer (...) cursos (...) com parâmetros de qualidade institucional.”
Ainda segundo o texto da nota, a Unifran vai respeitar todos os direitos trabalhistas, além de estender benefícios como assistência médica (até março do ano que vem) e bolsas de estudos para funcionários e dependentes (até o final do curso).
Investimentos
Ao mesmo tempo em que manda quase 200 funcionários para a rua, a Unifran, em nota, tentou “assoprar a ferida” com o anúncio de novos investimentos e melhorias para o ano que vem.
Por exemplo, serão investidos R$ 3,1 milhões na atualização do parque tecnológico, reforma nos laboratórios, instalação de projetores multimídia nas salas e de equipamentos de ar condicionado em laboratórios e anfiteatro. A oferta de cursos de graduação e pós-graduação será ampliada “em nível nacional”. Além disso, a universidade vai adotar os materiais didáticos da Cruzeiro do Sul e um sistema de atendimento por telefone aos alunos.
Assista:
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.