Pinóquio


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Quem não assistiu aos desenhos do boneco de madeira que se transformou em humano? A cada mentira que contava, o nariz do boneco de madeira crescia. Em mundo da fantasia, bonecos falam, interagem, mentem, contam histórias e são os sujeitos, mas, no mundo real, isso não acontece!

A diference entre humano e boneco é a capacidade de reflexão e a linguagem. Existem pessoas que são bonecos, marionetes, mas, mesmo ainda assim, são humanas. Boneco não passa por banho civilizatório, e humano não banhado pela linguagem, não é, efetivamente, humano. Tornar-se um ser humano exige dedicação, cuidado, afeto, atenção, amor, respeito, consideração, limites, regras, enfim, é necessário que se molde, para viver em sociedade.

Para tornar-se humano, o ser tem que exercitar senso crítico, reflexão, argumentação, e, especialmente, ter o desejo, de tornar-se humano. Ser humano não é tarefa fácil. Lidar com os desejos, limites, acertos, erros, conquistas e derrotas gera muitas lutas internas. O Pinóquio foi construído em madeira, material natural, duro, fechado. Para se tornar humano, foi preciso abandonar a dureza de seu material e, por metamorfose, permitir que um novo ser surgisse. O ser humano não é imutável como um boneco. É dotado de capacidades internas que permite sentimentos e escolhas. O boneco não tem escolhas. O humano escolhe, inclusive o que é desnecessário ou prejudicial. Muitos têm dificuldades para gerir suas más escolhas

Acredito que essas dificuldades decorrem de esquecimento ou desconhecimento de que ser humano não nasce pronto. Ser humano é ser um produto de acertos e erros. Erros transformam, quando analisados. Podem gerar crescimento, conhecimento, e causar mudanças. É necessário jogar fora a culpa e não deixar que os erros acabem com as capacidade intrínsecas da qualidade de ser humano. Se vive de mentiras, e seu ‘nariz’ cresce como crescia o do Pinóquio, tem que assumir as consequência de seus atos nem sempre acertados. Tem hora que dá vontade de ser apenas boneco, mas, isso implica em abandonar todas as delícias de ser humano.

Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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