A selvageria dos torcedores de Atlético Paranaense e Vasco, em Joinville, no último domingo, trouxe uma repercussão bastante negativa ao País, principalmente em razão da realização da próxima Copa do Mundo de Futebol, dentro de aproximadamente seis meses. As cenas, divulgadas pela televisão, ganharam o mundo ainda na noite de domingo. Elas são de fazer pensar: somos nós que queremos sediar o principal evento do futebol mundial? Pela primeira vez, o evento contará com a participação de todas as oito seleções campeãs mundiais, mas o episódio de anteontem provoca reflexões sobre não estarmos prontos para um evento de tamanha grandeza.
Conforme mostraram as imagens de TV, quatro torcedores ficaram feridos com gravidade ao serem agredidos covardemente. Três torcedores do Vasco foram presos quando já estavam no ônibus que os levaria de volta ao Rio. Um deles, inclusive, estava escondido dentro do banheiro do veículo: era o que portava um pedaço de madeira com prego na ponta e foi filmado espancando com a ‘ferramenta’ um torcedor caído na arquibancada. Este ainda continuava internado em estado grave na tarde de ontem.
As cenas exibidas por todas as emissoras de TV brasileiras na noite de domingo, e repetidas nos telejornais, esportivos ou não, no dia de ontem, também replicadas com insistência na Internet, causam, além da reflexão, uma grande indignação. Não se pode conceber, nos dias de hoje, uma violência extrema envolvendo a paixão futebolística. O principal esporte do Brasil pode desencadear paixões, debates e polêmicas. Mas não pode evoluir para a agressão física. Hoje, nem em momentos de lazer podemos nos livrar desta violência que nos atinge cotidianamente até dentro de nossas casas.
As informações sobre a violência no Brasil, intensificadas nos últimos meses por causa da Copa do Mundo do ano que vem, ganharam um combustível extra nesta semana. O jornal inglês The Guardian vem fazendo uma campanha bastante negativa, chegando até a sugerir que ingleses não venham ao Brasil diante do perigo de serem assaltados e estuprados. A atitude dos torcedores no último domingo — e em várias outras ocasiões no Campeonato Brasileiro — só serve para dar argumentos a nossos detratores.
Enquanto se buscam culpados fora do campo, vê-se que a situação reflete cada vez mais a situação do futebol brasileiro. Hoje os nossos melhores jogadores atuam em países europeus, onde há organização que envolve patrocínios milionários, estádios lotados e paixões que são resolvidas dentro de campo, na bola. Por tudo isso é preciso se repensar toda a dinâmica do futebol no Brasil, passando pela CBF e pelas federações estaduais, onde as mesmas figuras lideram há décadas e não há uma perspectiva de mudanças, pelo menos em curto ou médio prazo. Enquanto pessoas violentas continuarem vendo um jogo de futebol como batalha campal, extremando as paixões e as rivalidades, pergunta-se se o torcedor brasileiro está preparado para participar da maior festa do futebol mundial.
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