Boate Jarrel Club corre o risco de ser interditada por falta de alvará


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Jane Elisa Costa de Aguiar, autônoma e síndica de prédio vizinho ao Jarrel, diz ter perdido a conta de quantas reclamações já fez
Jane Elisa Costa de Aguiar, autônoma e síndica de prédio vizinho ao Jarrel, diz ter perdido a conta de quantas reclamações já fez

A boate Jarrel Club nem bem foi inaugurada e já corre o risco de ser interditada. O motivo é a falta de alvará autorizando o funcionamento da casa com música ao vivo. A informação é do chefe de Fiscalização da Prefeitura Municipal, Éder Silveira Brazão.

Na semana passada, a Jarrel foi alvo de dezenas de queixas de perturbação de sossego por causa do som alto vindo dos shows ao vivo que ocorrem dentro da boate, o que motivou a visita de um fiscal ao local. “O fiscal esteve na boate e analisou toda a documentação. Os responsáveis não apresentaram o alvará de funcionamento permitindo o uso de música ao vivo. O fiscal deu um prazo para que apresentassem o documento, mas até agora nada foi entregue”, disse Éder.

O prazo venceu às 17 horas de ontem. “Até as 15h30, que foi a última vez que nós verificamos, nada tinha sido entregue. Se realmente a casa não tiver esse documento, ela será interditada nesta terça-feira até que a situação seja regularizada”, disse o chefe de Fiscalização.

O problema de perturbação do sossego causado naquele local é antigo. Antes mesmo da inauguração da Jarrel, quando lá funcionava o Barcode, as queixas por causa do som alto de madrugada eram constantes. A ponto de um condomínio próximo ter registrado mais de 50 boletins de ocorrência. “Sofremos com esse local há quase dois anos. Já perdemos as contas de quantas reclamações fizemos. Até estamos movendo um processo judicial contra os antigos donos por causa da perturbação de sossego. Mas a casa continua funcionando normalmente”, disse a autônoma e sindica do prédio, Jane Elisa Costa de Aguiar.

Segundo ela, o som alto vindo da boate é insuportável. “Dia desses eu acordei com as batidas. Tentei fechar o vidro, mas ficou pior. É impossível dormir. Parece uma tortura.”.

Como nenhuma medida tem funcionado, a síndica e um grupo de moradores estão pensando em organizar um protesto. “Vamos descer de pijamas e ficar na porta para ver se os donos se sensibilizam com o nosso sofrimento. Já que não vamos dormir mesmo pelo menos faremos algo para ver se isso para.”

No prédio, moram 150 pessoas e todas têm problemas por causa do barulho. “Aqui moram médicos que precisam dar plantão logo cedo, mas não conseguem dormir. Isso não é justo. Nós também temos o direito a poder descansar”.

O processo judicial atualmente, segundo Jane Elisa, se encontra parado. “Os antigos donos não conseguem localizar testemunhas e isso fez com quem o processo estacionasse”.

O chefe da Fiscalização disse que as queixas dos moradores têm sido levadas em consideração. “O que acontece é que a boate foi vendida, mudou de donos e de nome. Então, temos que começar um novo processo”. Sobre as queixas da semana passada, Éder disse que, no dia seguinte à reclamação, o fiscal da Prefeitura esteve no local. “Não estamos fazendo vistas grossas, mas temos que respeitar as regras. Os donos foram notificados e, se não apresentarem a documentação exigida, a casa será interditada.”

Os novos donos da Jarrel Club foram identificados como Paulo Roberto Cardoso e Fernando Cursino. Os nomes de ambos não constam na lista telefônica. A reportagem tentou contato com Paulo Cardoso por meio de redes sociais, mas ele não retornou as mensagens.

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