Para missionários ‘progressistas’, a catequese de Anchieta colaborou para a desagregação, marginalização, destruição e morte de nossos silvícolas. Nada de mais errado, pois um missionário tradicional visava trazer os homens para a Igreja e abrir-lhes as portas da salvação. Para Plinio Corrêa de Oliveira, cristianizar e civilizar são termos correlatos. É impossível cristianizar sem civilizar, como, reciprocamente, é impossível descristianizar sem desordenar, embrutecer e impelir de volta rumo à barbárie. Ser missionário aqui é, sobretudo, levar o Evangelho aos índios.
A figura do colonizador e propagador da fé, José de Anchieta nos enche de entusiasmo. Ele não se trasvestiu de índio nem tirou a batina para percorrer as ermas vastidões do Brasil. Aonde ia, sua personalidade sacerdotal era marcada por esse distintivo nobre e elevado que separava o sagrado do profano, o laicato do clero. Há poucos dias estive em Anchieta, Espírito Santo, visitando a ermida do Apóstolo do Brasil, localizada numa espécie de mirante. De lá se pode contemplar panorama deslumbrante, que nos remete a altas cogitações, como perscrutar os desígnios de Deus sobre o Brasil que desde o início de sua história foi galardoado com o cristianismo.
Na cela onde padre Anchieta entregou sua alma a Deus, encontra-se para veneração, uma preciosa relíquia, um pedaço de seu fêmur. Celebrei a santa Missa diante dela, nas intenções do Brasil e de todos que seguem as trilhas sagradas do nosso apóstolo.
Logo após, deparei-me com um grupo de crianças acompanhado por professoras que visitavam o local.
Ao me verem de batina, alguns dos meninos correram para me perguntar se eu era o padre Anchieta.
Talvez não soubessem dissociar minha batina da figura sacral do apóstolo do Brasil.
Padre David Franciquini
Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ)
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