Muletas digitais


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Vem sendo muito comentada a decadência do ensino, fruto da estatização de currículos e introdução de temas sexuais, igualitarismo entre professores e alunos e o permissivismo moral, para citar alguns fatores. Alguns propõem, como paliativo, crescente inserção de recursos da informática, computadores, smartphones, ipods, tablets, para facilitar concentração nos trabalhos escolares, permitir pesquisas rápidas nas redes sociais. Ledo engano!

Pesquisa do Pew Internet & American Life Project entrevistou 2.462 professores do ensinos fundamental e médio nos EUA e concluiu que ‘a maioria concorda que tecnologias estão criando geração que se distrai com facilidade e só consegue se concentrar por breves intervalos de tempo’. (Larry Rosen, ‘Geração desconcentrada’, O Estado de S. Paulo’, 19-11-12).

Milhares de estudantes, também ouvidos, disseram que ‘alertados por bipe, vibração, luz piscando, eles se sentem compelidos a responder ao estímulo, perturbados por pensamentos como: ‘Será que alguém comentou o post que deixei no Facebook?’. Para Carmen Neme, professora de pós-graduação em Psicologia da Unesp, ‘Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência’. Cesar Marconi, diretor do Colégio Mary: ‘Tem aluno que não se concentra, e questionado, diz que ficou na internet a noite toda’. A Telefônica mapeou o comportamento de crianças e jovens frente a computador, celular e televisão. Afirma que ‘o computador se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). E, 31,7% dos jovens declaram que seus pais não fazem nada em relação às atividades que desenvolvem na internet’.

É claro que muitos utilizam bem mas são minoria. A solução não está em muletas digitais. Os males de que padecem lhes vêm da sociedade gangrenada por falta de princípios, que colocou o prazer da vida como meta da existência.

Gregório Vivanco Lopes
Advogado

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