Com PSDB em guerra, Câmara escolhe novo presidente hoje


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O atual presidente, Jépy Pereira (PSDB), conversa com Laercinho (PP) na última sessão: ele deve ser reeleito hoje
O atual presidente, Jépy Pereira (PSDB), conversa com Laercinho (PP) na última sessão: ele deve ser reeleito hoje

Os vereadores de Franca vão escolher hoje o presidente da Câmara para o próximo ano. Jépy Pereira (PSDB) foi dormir reeleito ontem. Durante jantar realizado em uma churrascaria, terça-feira, ele recebeu a promessa de apoio de dez colegas. A votação, que aparenta ser tranquila, será marcada por um intenso fogo amigo entre tucanos. Líder do mesmo PSDB, Valéria Marson afirma ter sido traída pela própria bancada. Ela também acusa assessores do prefeito Alexandre Ferreira de agirem na “surdina e de maneira leviana” para prejudicá-la na eleição.

O clima bélico na disputa pelo comando da Câmara começou a se formar ainda em novembro de 2012, quando dez vereadores recém-eleitos se reuniram e decidiram apoiar a candidatura de Jépy para presidente este ano. Um acerto para as eleições de hoje sacramentou a composição e evitou a disputa.

Jépy enfrentava a concorrência da novata Valéria Marson. Mesmo tendo sido a campeã de votos, foi convencida a abrir mão da candidatura em favor do companheiro. Em troca, recebeu o compromisso de que teria apoio para ser a presidente em 2014.

Alvo de uma enxurrada de processos, Jépy “rasgou” o acordo e entrou na disputa para tentar a reeleição. Vereadores disseram ao Comércio que ele pretende continuar no cargo para facilitar sua defesa nas investigações abertas pelo Ministério Público. Valéria se revoltou. “Aprendi que não devo confiar. O mínimo que um político tem que fazer é honrar a palavra dele”.

O racha entre os tucanos escancarou de vez durante a semana e atingiu o governo. Na sessão de terça-feira, o assessor legislativo do prefeito, Edvaldo Costa, distribuiu um comunicado aos vereadores em que acusou Valéria de não comunicar a prefeitura sobre a liberação de uma emenda no valor de R$ 100 mil que ela obteve junto ao deputado Mendes Tame. “Lamentável que a vereadora, mesmo sabendo da liberação da verba desde o dia 30/10 e da necessidade de preparação de documentação para assinar documento, não comunicou nada a ninguém. Qual será o motivo que ela não se preocupou em efetivar o recebimento?”, diz o comunicado.

Valéria deu o contragolpe ontem. Em carta distribuída aos vereadores, explicitou a crise no governo tucano. Ela alega ter sido informada da emenda segunda-feira e comunicado o gabinete do prefeito no dia seguinte. “Por incrível que possa parecer, a assessoria do prefeito, em vez de parabenizar-me, buscou imediatamente manchar minha conquista distribuindo sorrateiramente um comunicado patético, mentiroso, contraditório e pueril”, diz parte do texto que distribuiu na Câmara.

A vereadora diz que foi vítima de uma “mentira descabida” e que as acusações seriam uma estratégia do governo visando as eleições da Câmara. “Que motivo eu teria para ocultar tão importante feito? Está evidente que estou sendo vítima de atitudes sórdidas e levianas encetadas por alguns membros da assessoria do prefeito que pretendem, por qualquer meio e sem nenhum escrúpulo, impedir eventual eleição minha para a presidência”. Para Valéria, sua vitória não interessa ao prefeito. “Deixariam de existir as ingerências da administração em assuntos do Legislativo, o que ocorreu com facilidade durante este ano”, diz em seu texto.

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